{"id":18747,"date":"2022-08-31T12:50:46","date_gmt":"2022-08-31T15:50:46","guid":{"rendered":"https:\/\/geartips.com.br\/?p=18747"},"modified":"2023-06-05T17:17:32","modified_gmt":"2023-06-05T20:17:32","slug":"mashallah-do-artico-a-asia-de-bicicleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/geartips.club\/blog\/mashallah-do-artico-a-asia-de-bicicleta\/","title":{"rendered":"Mashallah, do \u00c1rtico \u00e0 \u00c1sia de bicicleta"},"content":{"rendered":"<p>Se algu\u00e9m me dissesse h\u00e1 alguns anos que a minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria estaria estampada em publica\u00e7\u00f5es de viagem, como esta que voc\u00ea est\u00e1 lendo, provavelmente eu n\u00e3o acreditaria. Aos 33 anos de idade, em 2016, eu j\u00e1 tinha um bom curr\u00edculo como viajante, mas aquelas experi\u00eancias, predominantemente profissionais, precisavam transbordar. Jornalista, por seis anos rodei o mundo em coberturas internacionais em viagens curtas, apressadas e desgastantes &#8211; como manda o figurino da profiss\u00e3o. Vi muitos pa\u00edses apenas atrav\u00e9s das janelas do carro nos traslados entre aeroporto, hotel e est\u00e1dios de futebol. Foi uma experi\u00eancia fant\u00e1stica, mas aos poucos comecei a sentir falta de ver a vida passar mais devagar, estar mais pr\u00f3ximo da natureza e de me conectar com as pessoas e as culturas locais.<\/p>\n<p>Sa\u00ed de um extremo e fui a outro e, o que parecia inimagin\u00e1vel, aconteceu. Deixei a intensidade e superficialidade daquela din\u00e2mica de vida para viajar \u00e0 minha maneira. E, quando me dei conta, 31 pa\u00edses ficaram para tr\u00e1s em mais de 1000 dias de viagem e quase 28 mil quil\u00f4metros pedalados. Sim, pedalados. Essa \u00e9 a minha maneira de viajar. Levando comigo apenas o que eu posso carregar.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o mudou nesse tempo foi ter o passaporte cheio de carimbos e a \u00e2nsia por contar hist\u00f3rias. Por bastante tempo carreguei um alforge (aquelas bolsas usadas no cicloturismo) cheias de equipamentos fotogr\u00e1ficos. Cheguei a ter mais de dez quilos de bagagem s\u00f3 considerando c\u00e2mera, lentes, microfone, gravador de som, trip\u00e9, notebook, baterias e etc. O palco era perfeito para a documenta\u00e7\u00e3o e eu tinha um arsenal para isso. No entanto, algo aconteceu enquanto eu fotografava auroras boreais na Finl\u00e2ndia e a maneira de eu viajar &#8211; e ver o mundo &#8211; mudaria radicalmente.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18750 aligncenter\" src=\"https:\/\/geartips.club\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/israel-coifman-finlandia-aurora-boreal.jpg\" alt=\"Aurora Boreal na Finl\u00e2ndia\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/israel-coifman-finlandia-aurora-boreal.jpg 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/israel-coifman-finlandia-aurora-boreal-300x200.jpg 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/israel-coifman-finlandia-aurora-boreal-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><br \/>\n<span class=\"aligncenter\">Aurora Boreal na Finl\u00e2ndia.<\/span><\/p>\n<p><strong>&#8220;Desajeitado, eu tentava me entender com a headlamp ao mesmo tempo em que colocava o trip\u00e9 no n\u00edvel, buscava uma composi\u00e7\u00e3o e ajustava ISO, abertura e velocidade da c\u00e2mera fotogr\u00e1fica. Enquanto eu espremia apenas um olho para definir os \u00faltimos ajustes da fotografia no viewfinder, preparando o momento em que finalmente eu apertaria o disparador, tudo ficou escuro. A aurora havia desaparecido.<\/strong><\/p>\n<p>O drama n\u00e3o era ter perdido o espet\u00e1culo do c\u00e9u da Escandin\u00e1via, e sim o desconforto que imaginar aquela cena vista de fora me causou. De repente, para um observador externo, o \u00fanico ponto vis\u00edvel naquela estrada no meio do nada teria sido o meu pr\u00f3prio rosto, iluminado pela tela da c\u00e2mera. Essa imagem fez com que questionamentos come\u00e7assem a invadir os meus pensamentos sem pedir licen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>As auroras haviam descarregado em meu c\u00e9rebro n\u00e3o s\u00f3 uma nova paleta de cores, mas uma manifesta\u00e7\u00e3o da natureza que me trazia emo\u00e7\u00f5es imposs\u00edveis de transmitir. Os momentos n\u00e3o cabiam mais na foto. Senti que eu precisava calibrar o meu olhar e reeducar alguns velhos h\u00e1bitos. Ali nascia uma nova viagem. A hist\u00f3ria que escolhi contar no livro que acabei de lan\u00e7ar &#8211; Mashallah, do \u00c1rtico \u00e0 \u00c1sia de bicicleta.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 um recorte dessa experi\u00eancia de quase tr\u00eas anos em que vivi na estrada e, como o nome sugere, se resume \u00e0 viagem que fiz do norte da Europa ao Oriente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18751\" src=\"https:\/\/geartips.club\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/mashalla-livro-israel-coifman-viagem-bike.jpg\" alt=\"Livro Mashallah, do \u00c1rtico \u00e0 \u00c1sia de bicicleta\" width=\"1024\" height=\"736\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/mashalla-livro-israel-coifman-viagem-bike.jpg 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/mashalla-livro-israel-coifman-viagem-bike-300x216.jpg 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/mashalla-livro-israel-coifman-viagem-bike-768x552.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><strong>&#8220;Est\u00e1vamos em nosso primeiro ist\u00e3o, mais precisamente na regi\u00e3o dos sete ist\u00e3os \u2014 ou seven stans. O sufixo stan vem do persa e \u00e9 equivalente ao ingl\u00eas land. Significa terra, territ\u00f3rio ou na\u00e7\u00e3o, assim como encontramos em Iceland, Ireland, Scotland etc. Dos sete ist\u00e3os, cinco est\u00e3o na \u00c1sia Central: Cazaquist\u00e3o, Uzbequist\u00e3o, Turcomenist\u00e3o, Tajiquist\u00e3o e Quirguist\u00e3o. Completam a lista Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o, localizados no sul do continente, mas que fazem fronteira com alguns dos vizinhos mencionados. O prefixo kozak em russo tamb\u00e9m \u00e9 encontrado como kazak em turco e, em ambos os idiomas, tem o mesmo significado: n\u00f4made, homem livre, errante. Se nos aprofundarmos nas origens das l\u00ednguas indo-europeias, vamos encontrar ainda mais refer\u00eancias ao estilo de vida que escolhi levar. Em tcheco, stan significa barraca; em b\u00falgaro, acampamento, e em russo, assentamento.<\/strong><\/p>\n<p>Como dois cazaques que carregam o pr\u00f3prio ist\u00e3o na bicicleta, eu e Pascal (o meu amigo su\u00ed\u00e7o da foto abaixo) seguimos atravessando aquele deserto rumo \u00e0s montanhas da \u00c1sia Central.&#8221;<\/p>\n<p>Nesta altura do livro, j\u00e1 estou no Cazaquist\u00e3o e na companhia de um novo amigo: o su\u00ed\u00e7o Pascal. Ali j\u00e1 havia um objetivo definido: percorrer a segunda estrada mais alta do mundo, a Pamir Highway, trecho da antiga rota da seda entre o Tajiquist\u00e3o e o Quirguist\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18752 aligncenter\" src=\"https:\/\/geartips.club\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/cazaquistao-viagem-cicloturismo.jpg\" alt=\"Cazaquist\u00e3o - viagem de bike Israel Coifman\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/cazaquistao-viagem-cicloturismo.jpg 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/cazaquistao-viagem-cicloturismo-300x200.jpg 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/cazaquistao-viagem-cicloturismo-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><br \/>\n<span class=\"aligncenter\">Cazaquist\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong>&#8220;A fus\u00e3o de contempla\u00e7\u00e3o e sofrimento atingiu seu \u00e1pice na manh\u00e3 seguinte, quando cheguei ao ponto mais alto do Wakhan. Com indisposi\u00e7\u00e3o e dores de cabe\u00e7a por conta da altitude, avancei os oito quil\u00f4metros restantes e alcancei o passo Kargush, 4.344 metros acima do n\u00edvel do mar. H\u00e1 muitas viagens dentro da Pamir. A experi\u00eancia \u00e9 um paradoxo repleto de clich\u00eas, como o desejo de chegar logo versus a excita\u00e7\u00e3o de n\u00e3o querer que a viagem termine. Uma antirromantiza\u00e7\u00e3o do sofrimento, que traz \u00e0 flor da pele mais \u00f3dio do que amor. E que nos faz ver beleza nas pequenas vit\u00f3rias \u2014 como conseguir prender a barraca no ch\u00e3o e n\u00e3o se abalar por perder parte do jantar ap\u00f3s um dia de sacrif\u00edcios. O temido Wakhan Valley havia ficado para tr\u00e1s. Uma viagem espetacular que redefiniu os meus limites. Apesar de devastado, sa\u00ed dele mais forte.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18753 aligncenter\" src=\"https:\/\/geartips.club\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/tajiquistao-viagem-cicloturismo-israel-coifman.jpg\" alt=\"Pamir Highway, Tajiquistao\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/tajiquistao-viagem-cicloturismo-israel-coifman.jpg 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/tajiquistao-viagem-cicloturismo-israel-coifman-300x200.jpg 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/tajiquistao-viagem-cicloturismo-israel-coifman-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><br \/>\n<span class=\"aligncenter\">Pamir Highway, Tajiquistao.<\/span><\/p>\n<p>O livro \u201cMashallah \u2013 do \u00c1rtico \u00e0 \u00c1sia de bicicleta\u201d conta a ininterrupta viagem que fiz da regi\u00e3o do C\u00edrculo Polar \u00c1rtico \u00e0s curvas sinuosas da antiga Rota da Seda na \u00c1sia Central. Uma mescla de di\u00e1rio de bordo, narrativa de aventura, hist\u00f3ria e reflex\u00f5es das experi\u00eancias vividas em 19 pa\u00edses: Dinamarca, Finl\u00e2ndia, R\u00fassia, Est\u00f4nia, Let\u00f4nia, Litu\u00e2nia, Bielorr\u00fassia, Ucr\u00e2nia, Mold\u00e1via, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Turquia, Ge\u00f3rgia, Arm\u00eania, Azerbaij\u00e3o, Cazaquist\u00e3o, Uzbequist\u00e3o, Tajiquist\u00e3o e Quirguist\u00e3o. \u00c9 um manifesto sobre como n\u00e3o se aprisionar no pr\u00f3prio grito de liberdade e permanecer no sonho, mesmo que a viagem acabe. Agora, com o patroc\u00ednio do Gear Tips, Deuter e Sea to Summit, parceria que nasceu despretensiosamente, como um desses encontros de estrada, quando nos convidam para tomar um ch\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea pode adquirir um exemplar do livro na pr\u00e9-venda clicando no link abaixo:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/benfeitoria.com\/projeto\/mashallah\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/benfeitoria.com\/projeto\/mashallah<\/a><\/p>\n<p><strong>Com carinho,<br \/>\nIsrael Coifman.<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18763 aligncenter\" src=\"https:\/\/geartips.club\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/israel-coifman-jornalista-cicloturismo-livro.jpg\" alt=\"Israel Coifman\" width=\"1024\" height=\"660\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/israel-coifman-jornalista-cicloturismo-livro.jpg 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/israel-coifman-jornalista-cicloturismo-livro-300x193.jpg 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/08\/israel-coifman-jornalista-cicloturismo-livro-768x495.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><br \/>\n<span class=\"aligncenter\">Israel Coifman<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se algu\u00e9m me dissesse h\u00e1 alguns anos que a minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria estaria estampada em publica\u00e7\u00f5es de viagem, como esta que voc\u00ea est\u00e1 lendo, provavelmente eu n\u00e3o acreditaria. 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