{"id":33624,"date":"2025-05-09T19:31:31","date_gmt":"2025-05-09T22:31:31","guid":{"rendered":"https:\/\/geartips.club\/blog\/?p=33624"},"modified":"2025-05-09T19:31:31","modified_gmt":"2025-05-09T22:31:31","slug":"maes-desafios-beneficios-natureza-sem-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/geartips.club\/blog\/maes-desafios-beneficios-natureza-sem-filhos\/","title":{"rendered":"M\u00e3es compartilham os benef\u00edcios e os desafios de passar um tempo na natureza sem os filhos"},"content":{"rendered":"<p>Era \u00e9poca de Natal quando eu parti sozinha para a Amaz\u00f4nia para ficar uma semana imersa em uma comunidade a 70 km de Manaus, sem a minha filha de 15 anos. Essa foi a minha segunda experi\u00eancia sem ela \u2013 quando Manu tinha 9 anos, fui para a Chapada dos Veadeiros, uma viagem que durou dez dias. Ambas as experi\u00eancias me possibilitaram conex\u00f5es com a minha ess\u00eancia e com a minha individualidade.<\/p>\n<p>Assim como eu, outras m\u00e3es buscam na natureza um ref\u00fagio de autoconhecimento, de supera\u00e7\u00e3o de desafios, realiza\u00e7\u00e3o de sonhos e lazer. Mas por tr\u00e1s dessa oportunidade, nos deparamos com questionamentos como: &#8220;com quem voc\u00ea deixou os seus filhos?&#8221;,&#8221;vai ficar esse tempo todo longe deles?&#8221; \u2013 que nos fazem carregar uma esp\u00e9cie de culpa materna. Um peso muitas vezes imposto pela sociedade que enxerga que n\u00e3o podemos nos ausentar do papel da maternidade para vivenciar experi\u00eancias exclusivamente para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Laila Mantra, que come\u00e7ou a praticar atividades na natureza aos 30 anos, quando seus filhos, Breno e Cadu, tinham 6 e 5 anos de idade, conhece bem esse sentimento. &#8220;Muitas pessoas n\u00e3o entendem o que sentimos quando estamos na natureza, e me questionavam como eu conseguia abandonar os meus filhos. Algumas me chamavam de corajosa, mas eu sentia um julgamento por tr\u00e1s dessa aparente admira\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A primeira experi\u00eancia de Laila sem os dois filhos foi no <a href=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/?s=caminho+de+santiago&amp;post_type=post\" target=\"_blank\" title=\"Mais textos sobre o Caminho de Santiago de Compostela\">Caminho de Santiago de Compostela<\/a>. Na \u00e9poca, ela estava casada, em um relacionamento abusivo, e em depress\u00e3o profunda. Comprou uma mochila em dezembro e, em maio, partiu para uma jornada de 34 dias sozinha.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/laila-no-caminho-santiago-2.webp\" alt=\"Laila no Caminho de Santiago\" width=\"1024\" height=\"754\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33642\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/laila-no-caminho-santiago-2.webp 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/laila-no-caminho-santiago-2-300x221.webp 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/laila-no-caminho-santiago-2-768x566.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem-nota\">Laila no Caminho de Santiago<\/p>\n<p>Passar o Dia das M\u00e3es longe dos filhos foi um desafio ainda maior enfrentado por ela. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil lidar com as cr\u00edticas da sociedade. Eu estava em um processo de redescoberta, de entender quem eu era, o que eu queria. A minha alma pedia liberdade e o contato com a natureza. Fui muito feliz no Caminho. Voltei transformada, me separei e mudei de carreira.&#8221;<\/p>\n<p>Laila conta que carregou o sentimento de culpa por ter feito essa jornada sozinha por muitos anos \u2013 s\u00f3 conseguiu superar em uma viagem de 45 dias para a \u00c1frica, com o objetivo de chegar ao cume do Kilimanjaro. Na partida, Cadu, seu filho mais novo, lhe entregou uma s\u00e9rie de bilhetes enrolados. Cada um trazia um n\u00famero, correspondente ao seu dia de expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Ele me pediu para abrir na ordem certa. Me emociono ao lembrar das mensagens di\u00e1rias de apoio. No dia do cume, o bilhete dizia que apesar de n\u00e3o saberem se eu tinha chegado l\u00e1, ele e o irm\u00e3o se orgulhavam da minha jornada e da mulher que me tornei. Nesse dia, eu entendi que o que importava era o orgulho que eles sentiam de mim, e n\u00e3o os julgamentos.&#8221;<\/p>\n<p>A admira\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o grande que hoje o filho mais novo de Laila trabalha com ela na ag\u00eancia de turismo que montou anos depois do Caminho de Santiago, a Mantra. <strong>&#8220;Se n\u00e3o vamos atr\u00e1s do que faz o nosso cora\u00e7\u00e3o vibrar, como podemos inspirar as pessoas que mais amamos, que s\u00e3o os nossos filhos, a fazerem o mesmo?&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/laila.webp\" alt=\"Laila\" width=\"1024\" height=\"808\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33632\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/laila.webp 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/laila-300x237.webp 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/laila-768x606.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 na natureza que Laila encontra for\u00e7as para fazer o que \u00e9 necess\u00e1rio enquanto est\u00e1 presente na companhia deles. &#8220;A conex\u00e3o com a montanha, a sensa\u00e7\u00e3o de liberdade, e principalmente a certeza que tenho de inspirar e levar outras mulheres para fazer isso \u00e9 o que transforma a minha vida \u2013 e a delas. \u00c9 importante para a minha sa\u00fade mental sair de uma cidade como S\u00e3o Paulo para me conectar profundamente com a natureza.&#8221;<\/p>\n<h2>\u2018M\u00e3es felizes criam filhos felizes\u2019<\/h2>\n<p>Durante a sua inf\u00e2ncia, Leticia Mantovani acampava com os pais e frequentava o s\u00edtio da av\u00f3. A viv\u00eancia na natureza permaneceu em sua vida durante a adolesc\u00eancia e a fase adulta.<\/p>\n<p>A chefe de cozinha, designer digital e m\u00e3e da Alice, de 13 anos, passou a fazer trilhas sozinha quando a menina tinha por volta dos 6 anos de idade. &#8220;No come\u00e7o, eu sentia n\u00e3o s\u00f3 o peso na consci\u00eancia enquanto m\u00e3e, mas o peso que a sociedade me colocava. Mas acredito que m\u00e3es felizes criam filhos felizes. Fazer trilhas \u00e9 o que me faz conectar comigo e com a natureza&#8221;, conta Leticia, que tamb\u00e9m faz cicloviagens.<\/p>\n<p>Apesar de levar Alice para algumas trilhas, a m\u00e3e reserva destinos para ir sozinha \u2013 o que a filha entende bem devido a boa comunica\u00e7\u00e3o entre ambas. No in\u00edcio, Leticia, que j\u00e1 era divorciada, contava com o apoio do ex-marido, que sempre a incentivou. Ap\u00f3s seu falecimento, passou a contar com o apoio da m\u00e3e. &#8220;Tive de faz\u00ea-la entender que esse \u00e9 o meu jeito de levar a vida, j\u00e1 que ela \u00e9 de outra gera\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/leticia.webp\" alt=\"Let\u00edcia\" width=\"1024\" height=\"677\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33635\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/leticia.webp 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/leticia-300x198.webp 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/leticia-768x508.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem-nota\">Let\u00edcia<\/p>\n<p>Entre as atividades solo de Leticia na natureza est\u00e3o quase todas as trilhas de Itatiaia, Trilha do Ouro, Serra da Canastra, Travessia Lapinha Tabuleiro, entre outras. &#8220;Faz tr\u00eas anos que tomei coragem para fazer algumas maiores, como o Monte Roraima, em que fiquei uma semana sem contato com a Alice. No come\u00e7o, eu fiquei preocupada, mas depois entendi que era o meu momento e que ela estava bem amparada com a minha m\u00e3e.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar de j\u00e1 ter a vis\u00e3o de que estar sozinha na natureza era importante para ela, ap\u00f3s o ex-marido ser diagnosticado com c\u00e2ncer e o falecimento da sua av\u00f3, Leticia come\u00e7ou a valorizar ainda mais as atividades que trazem bem-estar para ela. &#8220;Quando a gente deixa para depois, acaba n\u00e3o vivendo o que deseja. O contato com a natureza sempre foi a minha vida, e costumo dizer que \u00e9 a minha religi\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>As experi\u00eancias na natureza de Leticia beneficiam n\u00e3o somente a ela, mas a Alice tamb\u00e9m. &#8220;Volto para ela mais feliz e me conhecendo melhor. Os benef\u00edcios s\u00e3o mais psicol\u00f3gicos do que f\u00edsicos.&#8221;  <\/p>\n<h2>\u2018A nossa vida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a maternidade\u2019<\/h2>\n<p>Para Renata Kuntz, pediatra e m\u00e3e do Heitor, de 12 anos, e da Celina, de 3 anos, viajar sem os filhos \u00e9 uma forma de pausar o estresse do dia a dia e uma oportunidade de expans\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n<p>&#8220;A conex\u00e3o com outras pessoas, lugares e culturas, que muitas vezes n\u00e3o tenho acesso quando estou com eles, traz um crescimento pessoal muito grande. Temos a oportunidade de entrar em contato com novos costumes, hist\u00f3rias e comunidades. Isso me toca e me estimula.&#8221;<br \/>\nRenata costuma vivenciar experi\u00eancias na natureza com os filhos \u2013 o Heitor j\u00e1 esteve com ela no Monte Roraima e na Chapada dos Veadeiros \u2013, mas uma vez ao ano, ela viaja sozinha. Sua primeira experi\u00eancia independente foi em Salkantay, no Peru, em 2019. &#8220;Ali, come\u00e7ou a minha trajet\u00f3ria p\u00f3s maternidade e entendi que era poss\u00edvel fazer sem eles. Foi emblem\u00e1tico e marcante. Mesmo estando longe, eu sabia que poderia trazer algo positivo para ele.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/renata.webp\" alt=\"Renata\" width=\"1024\" height=\"768\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33638\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/renata.webp 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/renata-300x225.webp 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/renata-768x576.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem-nota\">Renata<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, Renata realizou o Circuito W Torres del Paine, na Patag\u00f4nia Chilena, esteve em Mendoza, fez a Travessia Petr\u00f3polis-Teres\u00f3polis, expedi\u00e7\u00f5es no Chile, e se prepara para passar 13 dias em Chamonix, na Fran\u00e7a. &#8220;A nossa vida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 maternidade e trabalho. \u00c9 importante estarmos bem para cuidar dos filhos e transmitir coisas boas. Volto sempre mais forte das experi\u00eancias na natureza. \u00c9 um momento de conex\u00e3o e de reavivar o que est\u00e1 dentro de mim.&#8221;<\/p>\n<p>No caso de Renata, os pais ajudam a cuidar dos filhos. \u201cEu moro no Paran\u00e1 e eles no Rio. Mas conseguem vir para c\u00e1 para ficar com os meninos enquanto estou fora. Tamb\u00e9m tenho ajuda de cuidadoras, que est\u00e3o ao meu lado no dia a dia por conta da minha rotina pesada de trabalho.\u201d<\/p>\n<p>Como pediatra, Renata refor\u00e7a, ainda, que a inf\u00e2ncia precisa da natureza, e deixa uma reflex\u00e3o: &#8220;Como podemos oferecer essa experi\u00eancia para os nossos filhos se n\u00e3o a vivenciamos? Temos que estar seguras para que eles tamb\u00e9m possam experimentar no futuro. Com uma boa forma de comunica\u00e7\u00e3o, conseguimos faz\u00ea-los compreender que dentro de alguns dias n\u00f3s voltaremos com novas hist\u00f3rias para contar.&#8221;<\/p>\n<h2>\u2018Por que eu deveria abrir m\u00e3o do meu sonho?\u2019<\/h2>\n<p>Assim como Renata, Fernanda May sempre levou a filha, Mait\u00ea, hoje com 18 anos, desde cedo para trilhas e outras imers\u00f5es na natureza, por\u00e9m, n\u00e3o desistiu de seguir os seus sonhos em dire\u00e7\u00e3o aos cumes de altas montanhas. &#8220;Cada mulher e m\u00e3e tem o seu desafio mental, e o meu \u00e9 ir para a alta montanha.&#8221;<\/p>\n<p>Antes de se formar como m\u00e9dica e se tornar m\u00e3e, Fernanda j\u00e1 era montanhista. A interrup\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria das atividades ocorreu durante a resid\u00eancia, mas quando Mait\u00ea nasceu, a natureza chamou Fernanda de volta. &#8220;Com seis meses, comecei a fazer trilhas com ela nas costas, em mochilas especiais para beb\u00eas. Com dez meses, ela subiu o pico das Agulhas Negras comigo e n\u00e3o paramos mais. Ela fez eu voltar para a natureza rapidamente e foi minha parceira durante muitos anos. Fizemos milhares de travessias pelo Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>Em 2015, Fernanda come\u00e7ou a praticar alta montanha. Mait\u00ea tinha 7 anos. Por ser uma atividade de alto risco, a m\u00e9dica partiu para essa jornada sozinha, em dire\u00e7\u00e3o ao Kilimanjaro e outros destinos. &#8220;No in\u00edcio, ela achou o m\u00e1ximo e fazia brindes para eu levar. Pedia para eu tirar fotos no cume, com livrinho, desenho e outras coisas que ela fazia para mim. Mas quando fiz o Aconc\u00e1gua, ela j\u00e1 estava na adolesc\u00eancia, e come\u00e7ou a ficar apreensiva. Com o passar do tempo, amenizou&#8221;, conta Fernanda, que j\u00e1 esteve na Bol\u00edvia, Peru, Nepal, Alasca, R\u00fassia, Argentina, Fran\u00e7a, entre outros destinos de alta montanha.<\/p>\n<p>Fernanda relembra que quando recebeu uma proposta tentadora para estar no <a href=\"https:\/\/geartips.club\/plus\/filme_video\/vamos-falar-sobre-alta-montanha-do-kilimanjaro-ao-denali\/\" target=\"_blank\" title=\"Assista ao Papo Outdoor - Do Kilimanjaro ao Denali, com fernanda May\">Denali, a montanha mais alta da Am\u00e9rica do Norte<\/a>, a filha foi resistente porque viajaria no m\u00eas seguinte para um interc\u00e2mbio fora do Brasil. &#8220;Chamei a Mait\u00ea para conversar e disse para ela: &#8216;Voc\u00ea sabe que o Denali \u00e9 um grande sonho para mim, assim como o interc\u00e2mbio \u00e9 o seu. Por que voc\u00ea acha que tenho que abrir m\u00e3o dessa oportunidade, se voc\u00ea est\u00e1 indo viver o seu sonho?&#8217; Falei, ainda, que dedicaria o cume a ela. Chegando l\u00e1, fiz um v\u00eddeo que viralizou na internet. Precisamos lutar pelos nossos sonhos.\u201d<\/p>\n<div class=\"short-center\">\n<iframe width=\"315\" height=\"560\" src=\"https:\/\/youtube.com\/embed\/6EZ97LMm758?si=ySLC28s9QxBdi-ze\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture;\nweb-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div>\n<p class=\"imagem-nota\">Fernanda no cume do Denali<\/p>\n<p>Fernanda \u00e9 uma inspira\u00e7\u00e3o para m\u00e3es e mulheres montanhistas, mas fora desse ambiente, ela enfrenta bastante preconceito. &#8220;Sempre ouvi que eu era louca por me expor ao risco sendo m\u00e3e e por passar longos per\u00edodos distante da minha filha.&#8221;<\/p>\n<p>O que essas pessoas n\u00e3o sabem \u00e9 que ao se tornar m\u00e3e, Fernanda passou a ser uma mulher muito mais forte e mais cuidadosa consigo. &#8220;Fiquei muito mais preocupada em fazer as coisas da forma mais segura poss\u00edvel, sempre bem preparada para minimizar os riscos. A vontade de voltar para a casa, de estar ali para a minha filha, me torna uma leoa.&#8221;<\/p>\n<p>Durante 9 anos, Fernanda contou com o apoio da Rita, que ajudou na cria\u00e7\u00e3o de Mait\u00ea. &#8220;Como m\u00e9dica, eu tinha hora para sair, mas n\u00e3o tinha hora para voltar. O pai da Mait\u00ea era ausente e a Rita ficava com ela quando eu viajava. Minha homenagem vai para ela que, ali\u00e1s, sempre ganhava os melhores presentes do mundo inteiro quando eu retornava \u2013 o que acho pouco pelo que ela fazia por mim!&#8221;<\/p>\n<h2>Sozinhas na natureza, elas seguem os pr\u00f3prios roteiros<\/h2>\n<p>Ruri Giannini \u00e9 engenheira e m\u00e3e dos g\u00eameos Ruth e Isaac, atualmente com 14 anos. Come\u00e7ou a fazer trilhas no in\u00edcio da faculdade e nunca mais parou. Ao longo dos anos, passou a investir em equipamentos e a se preparar melhor.<\/p>\n<p>Desde os 2 anos dos filhos, Ruri mant\u00e9m o costume de viajar sozinha, principalmente nas suas f\u00e9rias, al\u00e9m de se planejar para a temporada de alta montanha. &#8220;Sozinha, consigo fazer uma viagem maior. Tem lugares que n\u00e3o tem como lev\u00e1-los, inclusive por quest\u00f5es financeiras. Al\u00e9m disso, eu preciso desse tempo para descansar. Quando estamos com os filhos, pensamos o tempo todo neles, na alimenta\u00e7\u00e3o e nas atividades da escola.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/ruri.webp\" alt=\"Ruri\" width=\"1024\" height=\"576\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33646\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/ruri.webp 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/ruri-300x169.webp 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/ruri-768x432.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem-nota\">Ruri<\/p>\n<p>Enquanto ela parte para a natureza, os filhos tamb\u00e9m se aventuram em um acampamento que frequentam h\u00e1 anos durante as f\u00e9rias. Al\u00e9m disso, eles fazem algumas travessias com a m\u00e3e. &#8220;Sempre fizemos trilhas juntos e essa \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas a energia \u00e9 outra. Muitas vezes, quero cuidar somente de mim, sem ter rotina. Recentemente, na Patag\u00f4nia, eu sa\u00ed \u00e0s 4h da manh\u00e3 para fazer uma trilha e ver o nascer do sol. \u00c9 um tempo que tenho s\u00f3 para mim, sem ter que gerenci\u00e1-los&#8221;, conta Ruri, que j\u00e1 esteve em diversas montanhas no Brasil e no exterior.<\/p>\n<p>Para a advogada Carla Milioni, que faz parte da diretoria jur\u00eddica da <a href=\"https:\/\/feemerj.org\/\" target=\"_blank\" title=\"Site da Feemerj\" rel=\"noopener\">FEEMERJ (Federa\u00e7\u00e3o de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro)<\/a>, poder seguir o seu pr\u00f3prio tempo \u00e9 libertador. &#8220;Com as crian\u00e7as o ritmo \u00e9 outro, optamos por fazer dist\u00e2ncias mais curtas e percursos mais f\u00e1ceis. Quando estou sozinha, me desafio mais e dito o meu pr\u00f3prio ritmo, o que torna a experi\u00eancia mais prazerosa. \u00c9 uma terapia. Sinto que me resgato&#8221;, conta Carla, que esteve recentemente na regi\u00e3o montanhosa da Agulhas Negras, em Itatiaia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/carla.webp\" alt=\"Carla\" width=\"1024\" height=\"930\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33649\" srcset=\"https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/carla.webp 1024w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/carla-300x272.webp 300w, https:\/\/geartips.club\/blog\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/04\/carla-768x698.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem-nota\">Carla<\/p>\n<p>M\u00e3e da Beatriz, de 5 anos, e da Sofia, de 8 anos, Carla passou a sua inf\u00e2ncia no interior de S\u00e3o Paulo em conex\u00e3o com a natureza. Quando j\u00e1 adulta mudou-se para o Rio de Janeiro, entrou para o Clube Excursionista Carioca e come\u00e7ou uma rela\u00e7\u00e3o de amor com a escalada. Tamb\u00e9m se casou com um montanhista. Naturalmente, suas filhas foram apresentadas cedo para o universo de trilhas e se tornaram companheiras, mas tamb\u00e9m aprenderam a passar um tempo longe da m\u00e3e.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a minha filha mais velha tinha um ano, fui para a Espanha com o meu marido e fizemos v\u00e1rias trilhas nos Pirineus durante um m\u00eas. V\u00ednhamos de um per\u00edodo muito desgastante, porque ela teve um problema no pulm\u00e3o aos 4 meses e ficou na UTI. Foi uma fase muito dura. Quando ela se estabilizou e estava bem, eu precisava cuidar de mim. O primeiro ano \u00e9 muito dif\u00edcil para toda m\u00e3e, mas para mim foi ainda mais puxado.&#8221;<\/p>\n<p>Carla conta que ainda amamentava e fez um \u201cesquema de guerra\u201d com a m\u00e3e, os sogros e duas bab\u00e1s para dar o apoio necess\u00e1rio durante sua aus\u00eancia. &#8220;Foi um momento libertador para mim. Ao mesmo tempo em que me sentia culpada, me sentia muito feliz! Quando voltei, por um milagre, a minha filha voltou a mamar no peito, o que fez at\u00e9 depois dos dois anos. A viagem n\u00e3o teve nenhum preju\u00edzo para a inf\u00e2ncia dela. Hoje, eu estimulo as minhas amigas a fazerem o mesmo.&#8221;<\/p>\n<h2>Acolhimento \u00e0 nossa individualidade materna<\/h2>\n<p>Ser m\u00e3e \u00e9 uma entrega profunda, mas hist\u00f3rias inspiradoras como essas nos lembram que somos mulheres inteiras \u2013 com desejos, limites, vontades e sonhos. Independentemente dos motivos que nos levam \u00e0 natureza sem os filhos, a verdade \u00e9 uma s\u00f3: n\u00f3s precisamos disso. Estar s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 abandono, \u00e9 presen\u00e7a conosco para, depois, estarmos mais presentes com os nossos filhos. Cultivar a nossa individualidade \u00e9, portanto, um ato de carinho e respeito \u2013 a n\u00f3s e a eles.<\/p>\n<p><strong>Te convido a experimentar!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era \u00e9poca de Natal quando eu parti sozinha para a Amaz\u00f4nia para ficar uma semana imersa em uma comunidade a 70 km de Manaus, sem a minha filha de 15 anos. 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