O sexto princípio do Leave no Trace fala sobre o respeito que devemos ter com a vida selvagem. Este princípio também atua em conjunto com outras recomendações do Leave no Trace, como a distância mínima do acampamento em relação a uma fonte de água ou a maneira correta de descartar nossos dejetos e lixo – por exemplo. Porém essas não são as únicas regras que devemos seguir no que se refere aos animais selvagens. Neste texto você conhecerá mais algumas recomendações para apreciar a vida selvagem e minimizar o seu impacto sobre ela.
E se você chegou aqui mas não sabe o que é o “Leave No Trace” (ou “Não Deixe Rastros“) vale a pena dar uma olhada no texto que explica a filosofia e os 7 princípios do Leave No Trace.
Princípio 6 – Respeite a vida selvagem
Aprenda sobre a vida selvagem por meio da observação silenciosa. Não perturbe a vida selvagem ou as plantas apenas para “ver melhor” ou para conseguir um “ângulo melhor”. Observe a vida selvagem à distância para que os animais não precisem fugir ou atacar. Grandes grupos de caminhantes geralmente causam mais danos ao meio ambiente e podem perturbar a vida selvagem com mais facilidade, portanto, evite caminhar por áreas naturais com muitas pessoas. Se você sair com um grupo maior, divida os participantes em grupos menores.
Movimentos rápidos e ruídos altos são estressantes para os animais. Caminhe em silêncio e não persiga, alimente ou force os animais a fugir. Note que essa regra do silêncio tem uma exceção: as áreas conhecidas pela presença de animais grandes e potencialmente perigosos, como os ursos. Em casos assim você pode quebrar a regra do silêncio e fazer barulho para afastar os animais por uma questão de segurança. Em climas quentes ou frios, a perturbação pode afetar a capacidade de um animal de resistir ao ambiente rigoroso. Não toque, aproxime-se, alimente ou pegue animais selvagens. É estressante para o animal, e pode ser um risco para você.
Animais doentes ou feridos podem morder, bicar ou arranhar e mandar você para o hospital. Animais jovens que foram tocados ou movidos de lugar por pessoas bem-intencionadas podem ser abandonados pelos pais. Ao encontrar animais doentes ou com problemas notifique a administração da unidade de conservação, um guarda-parque ou o órgão competente da sua região – eles saberão como proceder corretamente.
Campistas atenciosos observam a vida selvagem de longe, deixam espaço livre para os animais circularem, armazenam alimentos com segurança e mantêm o lixo e os restos de comida longe do alcance dos animais. Aqui no Brasil é comum em algumas regiões que animais selvagens recorram ao lixo ou invadam as barracas dos campistas atrás de alguma comida. Quatis e até mesmo lobos-guará são exemplos de animais que se comportam assim. Os animais se acostumam com a comida oferecida pelos visitantes e então começam a procurar por ela naturalmente, por isso você não deve alimentar os animais selvagens. Lembre-se de que você é o visitante da casa deles.
Os quatis são velhos conhecidos dos campistas, em alguns lugares eles chegam a rasgar as barracas para roubar comida
Permita que os animais tenham livre acesso às fontes de água. Idealmente, os acampamentos devem estar localizados a no mínimo 60 metros das fontes de água existentes. Isso irá minimizar a perturbação da vida selvagem e garantirá que os animais tenham espaço para beber água livremente. Evite ir até uma fonte de água durante a noite, você pode afastar os animais de hábitos noturnos que foram buscar água na mesma fonte que você. Em regiões áridas e com água limitada os caminhantes devem se esforçar para reduzir seu impacto sobre os animais que lutam pela sobrevivência, portanto evite usar os recursos escassos destes locais.
Mantenha distância entre o seu acampamento e as fontes de água
A lavagem de louça e o descarte de dejetos humanos devem ser feitos com cuidado para que a fonte de água não seja poluída e os animais e a vida aquática não sejam impactados. Nadar em lagos ou riachos é bom na maioria dos casos, mas nas áreas muito áridas é melhor deixar os escassos poços de água intocados e não poluídos para que os animais possam beber deles.
© 1999 by the Leave No Trace Center for Outdoor Ethics: www.LNT.org. / Fotos: Pixabay