Para os apaixonados por ecoturismo e turismo de aventura, os feriados são sempre uma excelente oportunidade para viajar e aproveitar momentos de conexão com a natureza. De acordo com uma pesquisa recente do Instituto Semeia, as trilhas estão entre as atividades mais buscadas pelos praticantes, representando o interesse de 36% dos visitantes de unidades de conservação.
O Brasil, além de ser um país rico em biodiversidade, também é generoso na quantidade de feriados, com uma média de 4 a 6 feriados prolongados por ano. E como somos, segundo a Forbes, o melhor país para a prática de ecoturismo no mundo, temos a combinação perfeita para mergulhar de cabeça nessa atividade.
Pensando nisso, separei 10 opções de trilhas, com diferentes níveis de dificuldade e experiências, para te ajudar a escolher a próxima aventura. Vamos nessa?
1. Calçada do Lorena
Foto: Placa informativa – acervo Projeto Parques Nacionais
Localizada na região metropolitana de São Paulo, no município de São Bernardo do Campo, a Calçada do Lorena é uma trilha de 3,5 km que atravessa o Parque Estadual da Serra do Mar, especificamente no núcleo Caminhos do Mar.
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Você sabia que o Gear Tips Club é a maior comunidade de praticantes de atividades ao ar livre do Brasil, com descontos e conteúdos exclusivos? Clique aqui e conheça nossos planos.Em meio à exuberante Mata Atlântica, a trilha é composta por trechos pavimentados com pedras que datam do século XVIII. Trata-se do primeiro caminho pavimentado que conectava o planalto ao litoral paulista, sendo utilizado no período colonial para o transporte de mercadorias.
Ideal para iniciantes, a trilha é bem demarcada, relativamente curta e oferece a opção de retorno pela antiga Estrada Velha de Santos — a primeira rodovia revestida de concreto do Brasil —, que passa por monumentos históricos datados de 1922.
Essa trilha oferece uma experiência única ao combinar a rica natureza da Serra do Mar com a história do país.
Foto: Caminhando pela Calçada – acervo Projeto Parques Nacionais
2. Pedra do Altar + Circuito dos Cinco Lagos (opcional)
Foto: Pedra do Altar – acervo Projeto Parques Nacionais
A Pedra do Altar é uma das trilhas mais emblemáticas da parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, localizado na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, especificamente nos municípios de Itatiaia (RJ) e Itamonte (MG).
A trilha tem início na portaria da parte alta, também conhecida como Posto Marcão, e segue em direção ao Abrigo Rebouças. O percurso começa com um leve declive pela estrada, e já nesse trecho é possível admirar uma vista espetacular do Morro do Couto, do Agulhas Negras e da própria Pedra do Altar, formando uma paisagem montanhosa de tirar o fôlego que parece quase irreal.
A partir do Abrigo Rebouças, são mais 3 km até o cume da Pedra do Altar. O segundo trecho da trilha, que passa pela base do Agulhas Negras, é marcado por um aclive constante. À medida que a altitude aumenta, as paisagens vão se transformando e a vastidão do planalto vai prendendo nossa atenção a cada pausa para respirar. Logo, é possível avistar as Prateleiras do lado oposto e, mais adiante, a Asa de Hermes.
Embora seja uma trilha desafiadora, ela é pouco técnica, o que a torna acessível para quem possui o mínimo de preparo físico. O grande atrativo da trilha é a vista panorâmica de 360º do parque, que proporciona uma experiência única de imersão na natureza.
O retorno pode ser feito pelo mesmo caminho, mas para quem deseja percorrer uma distância maior e explorar uma rota alternativa, há a opção de voltar pelo Circuito 5 Lagos. Esse percurso começa na bifurcação na base da trilha que leva ao Altar e termina próximo ao Posto Marcão.
Sem dúvida, será uma experiência inesquecível e imersiva no primeiro Parque Nacional do Brasil.
Foto: No alto da Pedra do Altar com Asa de Hermes ao fundo – acervo Projeto Parques Nacionais
3. Trilha Pico do Baepi
Foto: Vista panorâmica da subida da trilha – acervo Projeto Parques Nacionais
A trilha para o Pico do Baepi (“montanha-careca”, do tupi-guarani) é uma das mais tradicionais de Ilhabela, e é um verdadeiro desafio para os aventureiros. Muitos não sabem, mas cerca de 85% de Ilhabela está protegida pelo Parque Estadual de Ilhabela, localizado em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo.
Essa trilha é um dos maiores desejos dos visitantes que buscam explorar a exuberante Mata Atlântica preservada da região e ter uma visão única da ilha.
Com aproximadamente 7,5 km de distância entre ida e volta, a trilha exige um bom preparo físico, devido à subida constante. O percurso começa em uma área aberta e logo se passa por um mirante, onde já é possível admirar a vista deslumbrante do Canal de Ilhabela. À medida que a trilha adentra a mata, o caminho se torna mais fechado e desafiador, com trechos de escadas de madeira construídas pelo parque, onde é necessário usar as mãos para garantir o equilíbrio. O trecho final é ainda mais exigente, com uma ascensão íngreme que conta com o auxílio de um corrimão de madeira.
No topo, a recompensa é uma vista panorâmica incrível, a 1.048 m de altitude, que oferece uma visão espetacular do arquipélago de Ilhabela e do oceano ao redor.
Vale lembrar que, para realizar essa trilha, é obrigatório contratar condutores credenciados pelo parque. Além disso, recomenda-se iniciar o percurso cedo, quando as temperaturas ainda estão mais amenas, pois o calor e a umidade da região podem ser intensos ao longo do dia.
Foto: Vista panorâmica do alto do Pico do Baepi – acervo Projeto Parques Nacionais
4. Trilha Arco do André
Foto: Portal do Início da trilha – acervo Projeto Parques Nacionais
Essa é a trilha mais longa do ainda pouco conhecido Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, localizado em Januária (MG). O parque está situado em uma região de ecótono, ou seja, numa área de transição entre os biomas cerrado e caatinga, o que resulta em paisagens deslumbrantes e coloridas.
Com aproximadamente 10 km de extensão, a trilha segue no formato de circuito e é recomendada para os aventureiros mais experientes. Ao longo do caminho, diversos atrativos chamam a atenção, como o Mirante do Mundo Inteiro, de onde é possível ter uma visão impressionante do trajeto do Rio Peruaçu, responsável pela formação dos cânions e cavernas da região.
O ponto marcante da trilha é o Arco, que dá nome ao percurso. Trata-se de uma passagem subterrânea cujas paredes apresentam nuances terracota em múltiplas tonalidades, com dimensões colossais que fazem o visitante se sentir minúsculo como uma formiga.
Além disso, a trilha cruza passagens estreitas, pontes e escadarias de madeira, e ainda permite explorar mais duas cavernas fascinantes: a Lapa do Cascudo e a Lapa dos Troncos, tornando a experiência ainda mais diversificada e emocionante.
Foto: Vista aérea do Arco do André – acervo Projeto Parques Nacionais
5. Trilha Cachoeira do Fundão
Foto: Vista aérea dos campos rupestres do Parque Nacional – acervo Projeto Parques Nacionais
Aqui está uma caminhada clássica do Parque Nacional da Serra da Canastra, que oferece uma experiência única em meio à natureza exuberante.
A portaria principal do parque, conhecida como Portaria 1, está localizada na cidade de São Roque de Minas (MG). A partir daqui, é possível acessar a trilha que leva até a Cachoeira do Fundão. Após percorrer cerca de 40 km de carro pela estrada que corta o parque e estacionar em uma área reservada, ainda será necessário caminhar mais 6 km até chegar à cachoeira.
A trilha é de nível fácil, embora relativamente longa, bem demarcada e dividida em dois trechos: o primeiro, em estrada de terra, e o segundo, em trilha mais interna na mata, cruzando rios e superando obstáculos naturais de pedras.
Ao longo do percurso, já é possível avistar a cachoeira, que impressiona com seus 40 m de queda, o que serve de motivação extra para seguir em frente e alcançar o destino final. Ao chegar, um poço de água esmeralda convida para um banho.
Devido às distâncias tanto de carro quanto a pé, a cachoeira se mantém em excelente estado de preservação, já que poucas pessoas se aventuram a conhecê-la, tornando essa experiência ainda mais exclusiva e especial.
Foto: Vista aérea da Cachoeira do Fundão – acervo Projeto Parques Nacionais
6. Trilha ao Farol das Conchas
Foto: Vista aérea da Praia Grande – acervo Projeto Parques Nacionais
A sugestão de trilha aqui é, na verdade, uma excelente oportunidade para conhecer um dos destinos mais icônicos do estado do Paraná: a Ilha do Mel. Vale destacar que 93% da ilha está protegida por duas unidades de conservação: uma Estação Ecológica e um Parque Estadual.
Localizada a 120 km de Curitiba, há diversas rotas para chegar até a ilha, com opções que variam em tempo e paisagens. Você pode escolher entre um passeio pela charmosa Serra da Graciosa, um encantador passeio de trem pela Serra do Mar até Morretes, ou ainda optar por uma rota mais rápida pela BR-277 até Paranaguá ou Pontal do Sul, de onde partem as embarcações para a travessia até a Ilha.
Ao chegar à Ilha do Mel, partindo da Praia de Encantadas, um dos principais pontos de desembarque, você fará uma caminhada tranquila de cerca de 2 h, passando por praias quase desertas e de beleza única, como a Praia do Cano, Praia do Miguel, Praia Grande e Praia de Fora. Durante o percurso, será necessário cruzar alguns morros até chegar ao Morro do Farol, onde uma escadaria leva ao topo. De lá, é possível admirar uma vista deslumbrante da ilha, incluindo o istmo, uma estreita faixa de terra que separa as águas abrigadas do mar aberto.
A paisagem é tão bem preservada que remete ao cenário que os portugueses encontraram há 500 anos, oferecendo uma experiência única de conexão com a natureza.
Foto: Vista aérea do Farol das Conchas – acervo Projeto Parques Nacionais
7. Trilha Pedra da Macela
Foto: Vista aérea da Pedra da Macela – acervo Projeto Parques Nacionais
A Pedra da Macela, localizada no município de Cunha (SP), é um dos principais atrativos do Parque Nacional da Serra da Bocaina. O acesso ao local é feito pela estrada Parati-Cunha (SP-171), especificamente no KM 66. A partir daí, são mais 4,5 km de estrada de terra até a portaria do parque.
O caminho até o topo da Pedra da Macela segue por uma estrada pavimentada de aproximadamente 2,5 km, com subida constante e um desnível de 400 m. A trilha pode ser percorrida em cerca de 2 h, em um ritmo tranquilo.
A 1.840 m de altitude, a vista é simplesmente deslumbrante. No primeiro mirante, é possível admirar as montanhas do Vale do Paraíba, enquanto no mirante principal, a vista panorâmica abrange a Serra do Mar e, ao fundo, as baías de Paraty e Angra dos Reis, proporcionando um cenário único.
No parque, há dois campings gratuitos disponíveis. O primeiro está localizado próximo à portaria, e o outro mais distante, perto dos mirantes da Pedra da Macela. Para quem deseja uma experiência ainda mais imersiva, esses campings são uma excelente opção, especialmente para quem deseja subir bem cedo e assistir ao nascer do sol sobre o mar, uma vista rara e inesquecível do alto da montanha.
Outro atrativo da região são os riachos que correm próximos à portaria, ideais para um mergulho refrescante após a trilha. Além disso, há banheiros secos disponíveis para os visitantes, garantindo maior conforto para quem passa o dia ou acampa no local.
Foto: Vista aérea da Baia de Paraty e Angra dos Reis – acervo Projeto Parques Nacionais
Os horários de funcionamento do local e do camping você pode ver no Instagram
8. Trilha Pico da Bandeira
Foto: Vista do Pico da Bandeira pela trilha lado Capixaba – acervo Projeto Parques Nacionais
O Pico da Bandeira, com 2.891 m de altitude, é o terceiro ponto mais alto do Brasil e está localizado no Parque Nacional do Caparaó, na divisa entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. O parque possui duas portarias de acesso, uma em cada estado: Alto Caparaó, em Minas Gerais, e Dores do Rio Preto, no Espírito Santo.
O acesso ao Pico da Bandeira pode ser feito de diferentes formas: em um bate e volta, com acampamento, ou através de uma travessia. De cada portaria sai uma trilha principal que leva até o cume. As distâncias variam conforme o ponto de partida: do lado capixaba, a trilha tem 4,5 km (somente ida) com 600 m de desnível, já do lado mineiro, são 6,5 km (somente ida) com 900 m de desnível.
Para quem deseja acampar, o parque oferece duas opções de camping em cada estado: no lado de Minas Gerais, há os campings Tronqueira e Terreirão, enquanto no lado do Espírito Santo, estão os campings Casa Queimada e Macieira.
Independentemente da rota escolhida, a subida ao Pico da Bandeira proporciona uma experiência de montanhismo incrível. Devido à altitude, o percurso é marcado por afloramentos rochosos e vistas espetaculares da Serra do Caparaó. Embora as trilhas não sejam técnicas, elas são exigentes devido à altitude e ao terreno com constantes subidas, tornando a caminhada ideal para iniciantes em atividades de montanhismo, que terão a oportunidade de conquistar o terceiro ponto culminante do país.
A prática de subir ao cume para assistir ao nascer do sol é muito comum no local e é uma experiência inesquecível. Para isso, é necessário iniciar a caminhada ainda no meio da madrugada, já que a pernoite no cume não é permitida. Essa prática envolve riscos e é recomendada para montanhistas experientes. Para iniciantes, é altamente recomendada a contratação de guias especializados.
Para acampar, é necessário fazer reserva antecipada, e é importante evitar os feriados e finais de semana de alta temporada, quando o parque costuma ser mais visitado. Há uma limitação no número de pessoas que podem acessar o parque e os campings em cada portaria, por isso é fundamental planejar a visita com antecedência.
Foto: Nascer do sol do alto do Pico da Bandeira – acervo Projeto Parques Nacionais
9. Trilha Circuito Janela do Céu
Foto: Campos rupestres do Parque – acervo Projeto Parques Nacionais
Localizada no Parque Estadual do Ibitipoca, no município de Lima Duarte (MG), essa trilha é uma verdadeira surpresa pela diversidade de paisagens e pela quantidade de atrativos ao longo do caminho.
Em meio à Mata Atlântica, com muitos afloramentos rochosos e características típicas de campos rupestres, a trilha revela inúmeras oportunidades de banho em rios e cachoeiras. As águas, com uma coloração caramelo, estão sempre convidativas.
O percurso, que tem 16 km de extensão em formato de circuito, é desafiador, com subidas e descidas íngremes. Por isso, é fundamental reservar um dia inteiro para percorrê-lo e se preparar adequadamente, levando alimentação e água para a hidratação. O preparo físico também é importante, devido à longa distância e ao terreno exigente.
Ao longo do trajeto, o visitante passará por diversos atrativos, como a Lombada, o ponto mais alto do parque, com 1.784 m de altitude, algumas grutas e a Janela do Céu. Este é um cânion que termina em uma queda d’água abrupta, formando uma vista espetacular para o vale. A vegetação ao redor cria um cenário que lembra uma janela, dando nome ao atrativo.
Durante os feriados, é comum que o local fique mais movimentado, com filas para acessar os pontos principais. Uma boa dica, nesse caso, é dedicar mais tempo à Cachoeirinha, uma encantadora queda d’água que desce pelas pedras e forma um poço perfeito para um mergulho refrescante.
Foto: Vista da Janela do Céu – acervo Projeto Parques Nacionais
10. Trilha Aamarela (saltos, carrossel e corredeiras)
Foto: Sinalização da Trilha Amarela – acervo Projeto Parques Nacionais
A Trilha Amarela do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é uma excelente opção para quem deseja se aprofundar na essência do cerrado, explorando paisagens deslumbrantes, muita água e banhos de rio, além de enfrentar desafios naturais com subidas e descidas intensas, em meio a uma flora rica e diversificada.
Localizado em Goiás, na Vila de São Jorge, que pertence ao município de Alto Paraíso de Goiás, o parque está a cerca de 250 km de Brasília.
A trilha tem um percurso circular de 11 km, com trechos íngremes e pedregosos, mas é bem sinalizada (faz parte da rede brasileira de trilhas, com setas pretas e amarelas), podendo ser percorrida em ambos os sentidos. O percurso mais comum segue no sentido horário, permitindo uma vista espetacular do mirante do Salto do Rio Preto, o cartão postal do parque, com seus impressionantes 120 m de queda livre, logo no início da trilha. Ao final, a jornada termina nas refrescantes piscinas naturais e pequenas quedas das Corredeiras do Rio Preto.
Durante o caminho, há várias opções para se refrescar, como a Cachoeira do Garimpão, com 80 m de queda, e a Cachoeira do Carrossel, além de outro mirante com vista para os cânions do Rio Preto.
Sem dúvida, essa trilha é uma experiência marcante que deixa saudades.
Foto: Cachoeira do Garimpão – acervo Projeto Parques Nacionais
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