Aclimatação é o nome dado ao processo de adaptação do organismo a certas situações e características do ambiente. Temos a aclimatação ao calor por exemplo, em que o corpo após alguns dias de exposição altera seus processos metabólicos para o organismo lidar melhor com a temperatura, elevada do ambiente. Mas a que mais se fala sobre é a aclimatação a altitude. Nessa situação o nosso organismo sofre alterações para melhor lidar com a pressão atmosférica, alteração da quantidade de oxigênio no ar e a baixa temperatura do ambiente.

Esse processo é marcado por diversas alterações fisiológicas do nosso organismo, indo desde frequência cardiorrespiratória até sinalizações celulares. E como qualquer processo que envolve adaptações no organismo, ele também gera um grande estresse fisiológico. Esse estresse, se não for bem administrado, respeitando o tempo e necessidades de cada organismo para aprender a lidar com ele, pode culminar em uma adaptação errônea que é insuficiente para lidar com o ambiente e resultará em alterações fisiológicas prejudiciais ao organismo que podem levar até a morte.

A importância da alimentação para a aclimatação em altitude
O que não se fala muito é na importância da alimentação no processo de aclimatação em altitude. Como mencionado, o organismo necessita de diversos substratos para que aconteçam as adaptações fisiológicas à altitude, por exemplo as proteínas são importantes para o processo de criação de novas células sanguíneas, e para essa adaptação acontecer também é necessário ter energia e vitaminas do complexo B. Para a alteração da frequência respiratória e cardíaca o organismo precisa de muita energia, e para a circulação funcionar bem é necessário água e sais minerais em quantidade correta. E como estamos falando de esportes, também é necessário nutrientes e energia para o uso e recuperação da musculatura para prosseguirmos com as atividades, o que contribui mais para o alto gasto energético durante o processo de aclimatação.

É muito comum que quem vai se aventurar na altitude procure informações sobre equipamentos e medicamentos, mas acabam não se preocupando com a alimentação, e principalmente em como se alimentar. Nas incursões em altitude, mesmo com guias e estruturas de empresas, o viajante ainda irá se deparar com diversos agravantes de dificuldade em se alimentar, como a diminuição do seu apetite, náuseas, dores de cabeça, frio e falta de sede, intolerância ao volume da comida, alterações intestinais agudas, diferenças culturais em relação a alimentação, falta de informação para a melhor combinação e escolha de alimentos oferecidos. Todos esses fatores podem levar o viajante a uma ingestão insuficiente de alimentos e água, o que prejudica seu processo de aclimatação, além de diminuir sua energia para as atividades.

Por isso, entender como se alimentar, quais alimentos escolher, o quanto comer, o que comer nas situações de enfermidade ou com pouca estrutura, se é necessário ou não levar suplementos, pode ser tão importante para sua aventura quanto ter botas boas e uma jaqueta anorak de qualidade. Para construir um bom planejamento alimentar, você deve obter boas informações sobre o itinerário da viagem e os locais em que você irá, a estrutura disponível, o tempo que ficará em cada lugar, o tempo gasto nas caminhadas, e quais as comidas ofertadas. Com essas informações mais o auxílio de um nutricionista que conheça o esporte, o seu planejamento alimentar pode contribuir muito para uma melhor adaptação a altitude e consequentemente com o seu desempenho e aproveitamento da viagem.
