Quando praticamos atividades ao ar livre em ambientes naturais, entre morros, montanhas e afloramentos rochosos, a vegetação é, sem dúvidas, o aspecto ambiental que mais se destaca na paisagem. Suas cores, biodiversidade e características diversas, que variam por todo o território nacional, encantam todos os tipos de aventureiros.
Mas como podemos saber um pouco mais, em um âmbito geral, sobre a vegetação de um determinado local? Este artigo vai te apresentar um ótimo caminho para facilitar esse processo. Através do uso do Banco de Informações Ambientais – BDIA do IBGE, você entenderá um pouco mais sobre o assunto em uma escala de análise ampla. Seguindo a série de artigos série “Meio Ambiente e Atividades ao Ar Livre”, apresentaremos como você poderá usar o BDIA para aprender um pouco mais sobre o tema da vegetação.
Vegetação
Para entender mais sobre o tema, você pode acessar o BDIA através do link: https://bdiaweb.ibge.gov.br. Basta acessar o site e começar a ter acesso a uma série de informações.

Figura 1 – Página inicial do Banco de Informações Ambientais – BDIA.
O BDIA disponibiliza bases temáticas de recursos naturais do território nacional ajustadas à escala 1:250.000 e 1:1.000.000, incluindo a vegetação. Os mapas possuem diferentes níveis de navegação, organizados em camadas de informação exibidas em mapas web, com suporte de gráficos e tabelas.
Utilizando o teclado e o mouse de seu computador, você poderá navegar facilmente por toda a variada composição de informações expostas sobre imagens de satélite de todo o Brasil, ou sobre informações gráficas extraídas da plataforma colaborativa Open Street Map. Assim, poderá consultar as informações que precisa. Veja o exemplo na imagem, abaixo.

Figura 2 – Navegação sobre a Ilha Grande, no Rio de Janeiro.
Informações sobre a vegetação no site do BDIA
Para acessar a sessão correspondente à vegetação, basta clicar no ícone com o mesmo nome. Assim você terá acesso ao mapa interativo e temático de todo o Brasil, no tema selecionado.
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Figura 3 – ícone que dá acesso ao mapa de vegetação.
Navegando sobre a Ilha Grande (RJ), por exemplo, observamos no canto esquerdo superior, um campo de pesquisa onde é possível fazer uma busca por alguma unidade de vegetação específica na qual se tem o interesse de saber sua localização. No canto esquerdo inferior existe uma ferramenta de dicionários de conceitos que podem contribuir na resolução de alguma dúvida que aparecer. Além disso, vemos no canto direito superior a presença de duas abas. A primeira aba, de legenda, serve como uma consulta rápida sobre todas as informações sobre a vegetação que aparecem na tela. Na aba a seguir, denominada “Camadas”, vemos quais os níveis de informações estão ativos durante a consulta. Neste nível de entendimento, trabalharemos somente com a camada da “cobertura Vegetal”.
Como parte importante do melhor entendimento dos conceitos apresentados neste artigo, serão utilizados conceitos e definições presentes no Manual Técnico de Vegetação Brasileira – 2ª Edição revista e ampliada, no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Disponível gratuitamente para download em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=263011. Recomendamos que toda a consulta realizada ao BDIA por aventureiros leitores deste Artigo seja acompanhada da consulta ao Manual.

Figura 4 – Capa do Manual Técnico de Vegetação Brasileira.
Nesta publicação, traremos dois exemplos práticos de consultas, relacionados aos biomas da Amazônia e do Pantanal. Assim podemos consolidar o aprendizado do uso da ferramenta e ainda apresentar características de biomas pouco detalhados nos artigos anteriores.
Segundo o IBGE (2024), um bioma pode ser considerado como um conjunto de vida vegetal e animal, com agrupamento de tipos de vegetação próximos e que podem ser identificados em nível regional, com condições de geologia e clima semelhantes e, além disso que sofreram os mesmos processos de formação da paisagem.
No Brasil encontramos seis tipos de biomas: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. Nossos Biomas demonstram a grande diversidade natural e a riqueza de recursos naturais do Brasil, destacam a importância da conservação ambiental e sendo palco de grandes aventuras.
Na Amazônia, navegando pelo BDIA até o ponto mais alto do território brasileiro, o Pico da Neblina, vemos que a região é caracterizada por dois tipos gerais de coberturas vegetais: rlh+Dlu (próximo ao pico) e Dmu (à leste).

Figura 5 – Coberturas vegetais próximas ao Pico da Neblina.
Ao clicarmos sobre a primeira, abre-se a caixa de informações sobre o elemento e entendemos que a sigla rlh trata-se de um Refúgio Vegetacional Alto-Montano herbáceo, sendo a vegetação predominante. Em complemento, a sigla Dlu é entendida como uma Floresta Ombrófila Densa Alto-Montana com dossel uniforme, sendo a segunda cobertura vegetal local. A figura abaixo demonstra a caixa de informações mencionada.

Figura 6 – Caixa de informações sobre a vegetação da região do Pico da Neblina.
Segundo o SNIF (2023), podemos entender o refúgio vegetacional como toda e qualquer vegetação floristicamente e fisionômico-ecologicamente diferente do contexto geral da flora dominante, ocorrendo em situações especialíssimas como o caso de comunidades em altitudes acima de 1.800m, sendo alto-montano herbáceo, assim caracterizado, como um Campo de Altitude. Desta forma, segundo a Resolução CONAMA nº 10, de 1993 (BRASIL, 1993) em seu art. 5º, entendemos os campos de altitude como:
“vegetação típica de ambientes montano e alto-montano, com estrutura arbustiva e/ou herbácea, que ocorre geralmente nos cumes litólicos das serras com altitudes elevadas, predominando em clima subtropical ou temperado. Caracteriza-se por uma ruptura na sequência natural das espécies presentes nas formações fisionômicas circunvizinhas. As comunidades florísticas próprias dessa vegetação são caracterizadas por endemismos”.
Já a segunda cobertura vegetal presente, a Floresta Ombrófila Densa, de acordo com o Manual Técnico do IBGE, é caracterizada por plantas de alto porte, variando entre 30 e 50 m de altura e de porte médio, variando entre 20 e 30 m de altura, além de plantas lenhosas e/ou herbáceas trepadoras com gemas situadas acima do solo em abundância, que o diferenciam das outras classes de formações. Porém, sua característica ecológica principal reside nos ambientes ombrófilos que marcam muito a “região florística florestal”. Assim, a característica da Floresta Ombrófila Densa está presa a fatores climáticos tropicais de elevadas temperaturas (médias de 25º C) e de alta precipitação, bem-distribuída durante o ano (de 0 a 60 dias secos), o que determina uma situação bioecológica praticamente sem período biologicamente seco.
Esta é Alto-Montana com dossel uniforme, pois trata-se de uma formação arbórea com aproximadamente 20 m de altura, que se localiza no cume das altas montanhas (na Amazônia, acima dos 2.000 m de altitude) sobre solos específicos, apresentando acumulações turfosas nas depressões onde se localiza a floresta. Sua estrutura é integrada com troncos e galhos finos, folhas miúdas e coriáceas, casca grossa com fissuras. A florística é representada por famílias de dispersão universal, embora suas espécies sejam endêmicas, revelando um isolamento de refúgio. Este refúgio é conhecido popularmente por “mata nuvígena” ou “mata nebular”, nos locais onde a água evaporada se condensa em neblina, precipitando-se sobre as áreas elevadas. Seu dossel, ou alta camada de sobreposição de folhagens da copa das árvores, é relativamente uniforme.
À leste do Pico da Neblina temos uma região caracterizada pela cobertura vegetal Dmu, sendo a sigla estabelecida para Dmu – Floresta Ombrófila Densa Montana com dossel uniforme. Essa cobertura é característica dos planaltos e das serras situados entre 600 e 2.000 m de altitude, na Amazônia. Segundo Manual Técnico, a região é dominada por Vochysiaceae Erisma e Vochysia, cobrindo uma submata de nanofanerófitos rosuladas, dominados pela Arecaceae (Palmae) e pelas Cycadales. Para um maior entendimento sobre essas características, recomenda-se que sejam realizadas pesquisas específicas.
Vale ressaltar que dois tipos de coberturas vegetais mencionados anteriormente possuem nomenclaturas muito parecidas. Para isso, podemos entender que as Florestas Ombrófilas densas, características na região, podem ser classificadas, na Amazônia e com adaptações em outras regiões do Brasil, de acordo com a sua altitude. A figura a seguir ilustram essas formações e, para um maior entendimento sobre os outros tipos de florestas ombrófilas densas existentes, vale a consulta ao Manual Técnico da Vegetação Brasileira do IBGE

Figura 7 – Perfil esquemático da Floresta Ombrófila Densa. Fonte: Veloso, Rangel Filho e Lima (1991).
Ao migrarmos nossa avaliação para a região centro-oeste brasileira, podemos nos direcionar, por exemplo, ao Parque Nacional do Pantanal Matogrossense. Ao nos aproximarmos, utilizando a navegação o BDIA, de sua região, vemos a predominância da seguinte codificação: SNc/Fae+Sgs+Pahs. Ao clicarmos sobre o centro da imagem, temos a abertura da caixa de informações correspondente.

Figura 8 – Elementos da Vegetação no Parque nacional do Pantanal Matogrossense.

Figura 9 – Caixa de informações sobre a vegetação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense.
Inicialmente, percebemos que a sigla SN significa o contato entre a Savana e Floresta Estacional. Trata-se de uma região com vegetação natural dominante em tensão ecológica, através do contato entre tipos de vegetação com estruturas fisionômicas semelhantes com delimitação quase imperceptível ou áreas encravadas situadas entre duas regiões ecológicas distintas, e são de fácil delimitação. Segundo VELOSO et al. (1991), isso ocorre, pois, comunidades indiferenciadas onde as floras de duas ou mais regiões ecológicas ou tipos de vegetação se interpenetram.
Na região, a vegetação predominante é composta por Floresta Estacional Semidecidual Aluvial com dossel emergente (Fae). Segundo o Manual Técnico do IBGE, esse tipo de formação é estabelecido em função da ocorrência de clima estacional que determina queda parcial da folhagem da cobertura florestal. Na zona tropical, associa-se à região marcada por acentuada seca hibernal e por intensas chuvas de verão; na zona subtropical, correlaciona-se a clima sem período seco, porém com inverno bastante frio (temperaturas médias mensais inferiores a 15º C), que determina repouso fisiológico e queda parcial da folhagem. Ao contrário das florestas ombrófilas, este tipo é constituído por plantas lenhosas com gemas foliares protegidas da seca por escamas (catafilos ou pelos) e cujas folhas adultas são esclerófilas ou membranáceas deciduais.
Podemos entender essa formação como aluvial quando relacionada aos sistemas hídricos aluviais, sendo com maior frequência na grande depressão pantaneira mato-grossense-do-sul, sempre margeando os rios da Bacia do Rio Paraguai.

Figura 10 – Perfil esquemático da Floresta Estacional Semidecidual. Fonte: Veloso, Rangel Filho e Lima (1991).
A segunda cobertura vegetal predominante é a Savana Gramíneo-Lenhosa (Campo-Limpo-de-Cerrado) sem floresta-de-galeria (Sgs). O Manual técnico do IBGE, esta cobertura se caracteriza pelo Prevalecimento, quando natural, de gramados entremeados por plantas lenhosas que ocupam extensas áreas dominadas por plantas herbáceas com gemas protegidas no nível do solo e que, aos poucos, quando manejados através do fogo ou pastoreio, vão sendo substituídos por plantas herbáceas ou sublenhosas com os órgãos de crescimento situados no subsolo, que se distinguem por apresentar colmos subterrâneos, portanto mais resistentes ao pisoteio do gado e ao fogo. Estas não possuem florestas de galeria pois há ausência de Florestas ou matas que formam corredores ao longo dos rios e áreas úmidas.

Figura 11 – Perfil esquemático da Savana Gramíneo-Lenhosa. Fonte: Veloso, Rangel Filho e Lima (1991).
Por fim, vemos uma terceira cobertura vegetal composta por uma Formação Pioneira com influência fluvial e/ou lacustre (várzeas) herbácea sem palmeiras (Pahs). Veloso & Góes-Filho (1982), denominam de Área de Formação Pioneira com Influência Fluvial as planícies que refletem os efeitos das cheias dos rios nas épocas de chuvas, ou então nas depressões alagáveis todos os anos, sendo áreas de planícies de inundação. Nessas regiões as formações vegetais vão desde pantanosa herbácea até arbustiva.
Este artigo trouxe ricas informações de como é possível consultar e aprender um pouco mais sobre a vegetação brasileira em aspecto geral (na escala de 1:250.000), exemplificando dois importantes e delicados biomas nacionais, a Amazônia e o Pantanal. Não limitadas aos exemplos, as ferramentas aqui apresentadas podem ser utilizadas para qualquer outro local do território nacional, também aplicáveis aos biomas caatinga, cerrado, mata atlântica e Palmas, além de diversas vegetações singulares de pontos específicos do país.
Como mencionamos em outros artigos desta série, esperamos que o BDIA seja uma boa ferramenta para fundamentar um processo de curiosidade científica em todos os nossos leitores aventureiros. Em nossa página, não deixe de interagir ou deixar as suas opiniões, críticas e elogios, pois assim podemos melhorar ainda mais.
O próximo artigo trará a conclusão da série Meio Ambiente e atividades ao ar livre, apresentando a última ferramenta de consulta presente no BDIA, a visualização compilada das informações de relevo, geologia, solos e vegetação em grades. Fiquem atentos e não percam a próxima leitura.
Referências
- BDIA. Banco de Dados de Informações Ambientais. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – Versão 2.15.0. Disponível em https://bdiaweb.ibge.gov.br/. Acesso realizado em 02 de janeiro de 2024.
- BRASIL. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Resolução CONAMA Nº 10, de 01/10/1993.
- IBGE. Biomas Brasileiros. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19635&catid=2850. Acesso realizado em 02 de janeiro de 2024.
- IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Manual Técnico de Vegetação Brasileira – 2ª Edição revista e ampliada, no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=263011. Acesso realizado em 02 de janeiro de 2024.
- SNIF. Sistema Nacional de Informações Florestais. Tipologias Florestais. Disponível em: https://snif.florestal.gov.br/pt-br/conhecendo-sobre-florestas/168-tipologias-florestais. Acesso realizado em 02 de janeiro de 2024.
- VELOSO, H. P.; GOES FILHO. L. Fitogeografia brasileira: classificação fisionômico – ecológica da vegetação neotropical. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=292051. Rio de Janeiro: IBGE, 1982.
- VELOSO, H. P.; RANGEL FILHO, A. L. R.; LIMA, J. C. A. Classificação da vegetação brasileira, adaptada a um sistema universal. Rio de Janeiro: IBGE, 1991. 123 p. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/colecao_digital_publicacoes.php. Acesso em 02 de janeiro de 2024.
Autores
Bruno Negreiros, Gabriel Lousada e Rafael Damiati.
