Guia da Travessia Petrópolis-Teresópolis

A travessia Petrópolis-Teresópolis, considerada a mais bela do Brasil, proporciona uma experiência transformadora em meio à Mata Atlântica e é considerada um clássico nacional do montanhismo. O percurso de 28 km cruza o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), terceiro parque mais antigo do Brasil, por meio de trilhas que passam por vales, campos, riachos e cachoeiras. Picos e formações rochosas se revelam ao longo da caminhada, como o Castelo do Açu, com 2.246 m de altitude; o Garrafão, o Dedo de Deus, Escalavrado e a Pedra do Sino, ponto culminante da região com 2.275 m de altitude.

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos conquistou a décima posição no ranking nacional entre os mais procurados em 2023, ano em que recebeu mais de 208 mil visitantes, segundo dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com a maior rede de trilhas do país e extensão de 200 km, o parque abriga mais de 2.800 espécies de plantas catalogadas, 462 espécies de aves, 105 de mamíferos, 103 de anfíbios, 83 de répteis, além de 130 animais ameaçados de extinção.

Nesse artigo, nós mostraremos como é fazer a travessia Petrópolis-Teresópolis, quais as belezas naturais que você encontrará durante a caminhada, assim como os principais desafios. Você também terá acesso a informações sobre os equipamentos necessários, como se preparar fisicamente, onde dormir e dicas de guias e agências de turismo para fazer a travessia com segurança e obter uma imersão memorável na natureza.

Principais características da Travessia Petrópolis-Teresópolis

Informações técnicas da travessia:

  • Local: Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO);
  • Extensão: 28 km;
  • Altitude: 2.275 m, na Pedra do Sino. É o ápice do parque, alcançado no final do segundo dia de travessia;
  • Nível: pesado;
  • Piso/terreno: piso irregular com trechos de subidas e descidas, onde é necessária a utilização de cordas;
  • Tempo de travessia: 3 dias considerando o roteiro tradicional, 1 dia no roteiro alternativo;
  • Melhor época para ir: durante a temporada oficial de montanha, de maio a setembro. O Parque Nacional da Serra dos Órgãos tem de 80% a 90% de umidade relativa do ar, com chuvas concentradas no verão (dezembro a março), com período de seca no inverno (junho a agosto);
  • Média de temperatura anual: varia entre 13ºC e 23ºC (variação vai de 38ºC a até -5ºC nas partes mais altas (fonte: ICMBio);
  • Pernoite: na data de postagem deste artigo, os abrigos estão fechados, sendo as áreas de camping as únicas opções para pernoitar;
  • Shit Tube: o uso do shit tube é obrigatório, já que os banheiros dos abrigos estão fechados.

A travessia Petrópolis-Teresópolis é considerada difícil, principalmente devido ao elevado nível técnico. Além do terreno irregular, com pedras, buracos, raízes e trechos escorregadios, a caminhada envolve passagens por pontos desafiadores como o “Cavalinho”, o “Mergulho” e o “Elevador”. Por isso, é recomendado fazer o percurso acompanhado de profissionais especializados, como guias locais e serviços oferecidos por agências de turismo.

As empresas Nattrip, Kmon Adventure, Ser Aventureiro, Felipe Lombardi Montanhismo e Terras Altas Expedições realizam a travessia Petrópolis x Teresópolis, e assinantes do Gear Tips Club têm descontos especiais.

Travessia em 3 dias: uma experiência completa na natureza

A travessia Petrópolis-Teresópolis pode ser feita em 1, 2 ou 3 dias, mas para você ter uma experiência transformadora na natureza, recomendamos que você faça o roteiro de 3 dias. Além de perder um pouco da experiência contemplativa, o percurso em 1 dia é indicado para pessoas acostumadas a percorrer longas distâncias e caminhar por horas em trilhas.

Traçado geral da Travessia Petrópolis-Teresópolis
Percurso geral da travessia Petrópolis-Teresópolis – na ponta direita a portaria de Petrópolis e na ponta da esquerda a portaria de Teresópolis

Roteiro de 3 dias da Travessia Petrópolis – Teresópolis

Dia 1 ou trecho 1: Desafio até o Castelos do Açu — Altitude: 2.246 m

A travessia começa na sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Petrópolis, e a meta do dia é chegar ao Castelos do Açu, formação rochosa com uma vista exuberante. No caminho, é possível contemplar poços, cachoeiras e mirantes com belas paisagens.

O primeiro dia da travessia Petrópolis-Teresópolis é considerado o mais pesado, já que alcançar os 2.246 m de altitude do Castelos do Açu não é uma tarefa fácil e exige preparo físico. Leva-se de 6 a 7 horas para percorrer cerca de 8 km, sendo 1 km de subida.

Travessia Petrópolis-Teresópolis - Dia 1
Detalhe do primeiro dia da Travessia, da portaria de Petrópolis (direita) até os Castelos do Açu (esquerda)

Fábio Magrão, guia da Kmon Adventure, destaca o trecho conhecido como “Isabeloca” como a parte mais desafiadora da trilha por ser uma subida íngreme. “Apesar de não ser perigosa, é uma etapa muito pesada. A “Isabeloca” começa no Ajax e vai até o Chapadão, o que dá em média 300 m de deslocamento. Não parece tanto para quem não conhece, mas são cerca de 40 minutos de subida muito íngreme, considerando um ritmo lento e caminhando com cuidado para preservar os joelhos. Costumamos parar com os grupos duas vezes para descanso”, conta Magrão, que desde 2008 é guia profissional e escalador.

Apesar do grau de dificuldade, Felipe Lombardi, guia experiente da travessia que já acompanhou equipes de programas de TV, entre eles o Esporte Espetacular, da TV Globo, destaca as belezas do trecho. “Ao final da subida, conseguimos avistar a Baía de Guanabara, o maciço da Tijuca, onde está o Parque Nacional da Tijuca, e a Pedra da Gávea. Um pouco mais para frente, avista-se o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor.”

Ponto de hidratação: durante o primeiro dia de travessia, há um ponto estratégico para abastecimento de água no trecho denominado Ajax.

Travessia Petrópolis - Teresópolis - Foto Felipe Lombardi
Mirante do Graças a Deus / Foto: Felipe Lombardi

Dia 2 ou trecho 2: Chegada à Pedra do Sino — Altitude: 2.275 m

A dica para o segundo trecho é acordar cedo para assistir ao nascer do sol antes de partir para a meta do dia: a Pedra do Sino, ponto culminante da Serra dos Órgãos, com altitude máxima de 2.275 m. O percurso é de 8 km, e o tempo médio estimado em ritmo confortável de caminhada é de 8 horas. No trajeto, é possível avistar diversos picos, mirantes, morros e montanhas do parque, além da rica vegetação.

Dia 2 - Do Açu até a Pedra do Sino
Percurso do segundo dia, do Açu (na direita) até a Pedra do Sino (na esquerda do mapa)

Este é o dia considerado mais técnico, com trechos conhecidos como “Elevador”, área que costuma estar úmida e que possui uma subida íngreme em rocha com degraus de ferro cravados, e “Cavalinho”, um trecho onde é necessário passar a mochila ao guia e fazer uma “escalaminhada” com uma corda de apoio para atravessar para o outro lado. Apesar de muitas pessoas terem receio de ultrapassar o “Cavalinho”, Fábio Magrão diz que o principal é estar bem equipado e assistido. “É fundamental estar com os equipamentos de segurança e com orientação de profissional de escalada, que deve ser certificado para a prática da atividade e, portanto, conhecer as técnicas necessárias.”

O destino final do dia, a Pedra do Sino, é um dos pontos altos da travessia, onde é possível contemplar o nascer e o pôr do sol.

Pontos de hidratação: no segundo dia de travessia, há dois pontos de abastecimento de água: o primeiro logo no começo da trilha, antes da subida do Morro da Luva, onde há um riacho, e o segundo na Cachoeirinha, antes do trecho do “Elevador”.

Nascer do Sol na Pedra do Sino - Travessia Petrópolis Teresópolis - Foto: Felipe Lombardi
Nascer do Sol na Pedra do Sino / Foto: Felipe Lombardi

Dia 3 ou trecho 3: Descida com destino à sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis

A última etapa da travessia é marcada por uma caminhada de 11 km, distância média da Pedra do Sino até a sede do parque em Teresópolis. A descida é feita por mata fechada, protegida do sol, sendo o percurso mais tranquilo e rápido da travessia, com duração em torno de 4 horas.

Durante a descida, você passará por duas cachoeiras, a Véu da Noiva, com cerca de 16 m de queda, e a Cachoeira do Papel, com predominância de andorinhas, além das ruínas de abrigos demolidos ao longo dos anos.

Terceiro dia da Travessia Petrópolis-Teresópolis
Último dia da travessia Petrópolis-Teresópolis. A caminhada sai da Pedra do Sino (na direita no mapa) e vai até a entrada do Parque em Teresópolis (na esquerda do mapa)

Principais obstáculos da Travessia Petrópolis-Teresópolis

Elevador: o primeiro trecho técnico mais difícil da travessia Petrópolis x Teresópolis

Percorrer o trecho do “Elevador” é considerado por Magrão como um nível de dificuldade médio. Trata-se da primeira experiência com trecho técnico e exigente que requer atenção. Sua principal característica é uma subida íngreme realizada em cerca de 70 degraus de ferro cravados, a uma altitude de 2.016 m.

Segundo Felipe, o obstáculo se torna mais difícil, principalmente, por conta do peso da mochila cargueira, que tende a te jogar para trás durante a subida. O guia explica que oferece para os caminhantes um equipamento de segurança individual, composto por uma cadeira de escalada, um mosquetão e uma fita solteira, utilizada na modalidade, o que torna a passagem pelo trecho mais segura. “Os grampos são espaçados, e muitas vezes você precisará utilizar a força dos braços”, reforça.

"Elevador" na Travessia Petrópolis - Teresópolis / Foto Felipe Lombardi
“Elevador” / Foto: Felipe Lombardi

Mergulho: trecho que exige mini rapel

O trecho conhecido como “Mergulho” tem cerca de 10 m de altura e 15 m de extensão, segundo Magrão. Porém, diferentemente do “Elevador”, o movimento é de descida técnica entre rochas. Maicon Rocha, fundador da Ser Aventureiro, e montanhista há 16 anos, recomenda o uso de cordas no local. “Durante esse trecho, os visitantes terão que fazer um mini rapel”, explica o guia de montanha.

Felipe acrescenta que a descida é feita de costas, escorando nas rochas, com técnica. “É um trecho bem curto, mas quando está molhado torna-se mais difícil e perigoso. Há grampos cravados nas rochas e a técnica que utilizo é o rapel assistido. Através do meu freio de escalada, eu conecto a cadeirinha do caminhante que está com a mochila pesada, liberando a corda aos poucos. Dessa forma, ele não precisa fazer tanto esforço, pois está em minha segurança.”

Trecho conhecido como "Mergulho" - Foto: Felipe Lombardi
Trecho do “Mergulho” / Foto: Felipe Lombardi

Cavalinho: cordas dão suporte ao trecho

Durante o trecho conhecido como “Cavalinho”, você utilizará a técnica de “escalaminhada”, como costumam chamar os guias, para atravessar uma pedra. “É um trecho com bastante erosão. A pedra é um pouco inclinada, e você tem que fazer um movimento como se estivesse montando em um cavalo”, explica Felipe.

Assim como nos outros trechos, há grampos cravados na rocha. Os profissionais especializados sobem na frente e fazem o esquema de segurança com os equipamentos. “Os guias ficam responsáveis pelas mochilas dos visitantes, que pesam entre 13 e 16 quilos, dependendo do equipamento que estão levando, enquanto eles se apoiam em cordas para concretizar a tarefa”, complementa o guia.

Segundo Vinicius Viegas, presidente da Nattrip, passar pelo trecho dura em média 5 minutos, dependendo do nível da pessoa. “Os grupos que vão com a Nattrip sempre são guiados por profissionais muito experientes e especializados, que além de dar orientação técnica para passar pela pedra, dispõe de equipamentos fundamentais para que todos fiquem confiantes e seguros”, explica Vinicius.

Lance do "Cavalinho" - Travessia Petrópolis Teresópolis - Foto: Felipe Lombardi
Lance do “Cavalinho” / Foto: Felipe Lombardi

Depois do Cavalinho, o Coice

Outro ponto lembrado pelos guias Maicon e Felipe é o trecho conhecido como “Coice”. “É um lance técnico de trepa pedras. O primeiro movimento que deve ser feito é jogar uma das pernas para trás para fazer uma alavanca. Ao ganhar altura, você colocará a outra perna em um bloco, e escorando na pedra, para fazer uma projeção. Essa etapa também é feita com cordas”, explica Felipe.

Recompensas em meio aos desafios da Petrópolis-Teresópolis

Percorrer os 28 km da travessia Petrópolis-Teresópolis em meio à natureza, com sua biodiversidade e formações rochosas já é uma experiência contemplativa transformadora, mas os guias destacam como pontos altos da caminhada o nascer e o pôr do sol observados no início e no final dos dias da expedição. “Durante todo o percurso, você passa por paisagens diferentes, mas o nascer e o pôr do sol na Pedra do Sino e na Pedra da Baleia, por exemplo, são memoráveis”, conta Maicon.

Pedra do Queijo

Logo no início do primeiro dia da travessia, a Pedra do Queijo atinge 1.500 metros de altitude, e já é possível ter uma vista panorâmica para o Vale do Bonfim, o ponto de partida para a travessia, além de algumas montanhas que pertencem a Petrópolis, como a Maria Comprida, uma das mais imponentes da região, o Pico do Alcobaça, Mãe D’água, além de avistar lá no alto o Chapadão de Açu. “Ali, as pessoas já começam a ter a noção do que esperar da travessia. É um ponto muito bonito”, conta Felipe.

Pedra do Queijo - Foto: Felipe Lombardi
Pedra do Queijo – Travessia Petrópolis – Teresópolis / Foto: Felipe Lombardi

Nascer e pôr do sol no Castelos do Açu

O ponto de chegada do primeiro dia da travessia é ressaltado pelos guias como um cenário de contemplação para o nascer e o pôr do sol. “Conseguimos avistar o sol nascendo em linha reta, lá no horizonte, entre os Três Picos e o Maciço do Pico da Caledônia, segundo ponto mais alto da Serra do Mar. O visual é bastante alaranjado e ilumina o Dedo de Deus e a cadeia principal de montanhas da Serra dos Órgãos”, conta Felipe, que ressalta ainda que o local abriga uma cruz, chamada de Cruzeiro, que segundo a história é uma homenagem a alguns montanhistas que morreram ali atingidos por um raio.

Nascer do Sol nos Castelos do Açu - Foto: Felipe Lombardi
Nascer do Sol nos Castelos do Açu / Foto: Felipe Lombardi

Portais de Hércules

Apesar de não fazer parte da travessia tradicional de três dias, os guias Felipe e Maicon destacam o nascer do sol no Portal de Hércules como uma experiência ainda mais emblemática, já que a vista das montanhas está mais próxima. “Nesse caso, saímos da área de camping do Castelos do Açu às 4 horas, no segundo dia, para tomar o café da manhã com esse visual”, conta Felipe. Para chegar lá, o guia explica que são cerca de 30 minutos de descida em trilha. “Apesar de não fazer parte do roteiro, é um cenário imperdível, por isso indicamos como opcional”, complementa Maicon.

Portais de Hércules - Foto: Felipe Lombardi
Portais de Hércules / Foto: Felipe Lombardi

Nascer e pôr do sol na Pedra do Sino

Um dos pontos mais aguardados pelos visitantes é a Pedra do Sino, destino alcançado no segundo dia da travessia, onde está localizada a área de camping. “O visual é panorâmico. Lá de cima, você consegue ver todo o traçado do caminho percorrido no dia, além das montanhas. A vista é espetacular para o nascer do sol”, conta Felipe.

Pedra do Sino - Travessia Petrópolis - Teresópolis - Foto: Felipe Lombardi
Nascer do sol na Pedra do Sino / Foto: Felipe Lombardi

Pedra da Baleia

Situada atrás do abrigo 4, a Pedra da Baleia também é uma alternativa oferecida durante a travessia para contemplar o entardecer e o nascer do sol com vista para a cidade de Teresópolis e outras montanhas, como a Pedra da Cruz e a Verruga do Frade.

Pedra da Baleia - Foto: Maicon Rocha
Pedra da Baleia / Foto: Maicon Rocha

Onde dormir durante a travessia?

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos já contou, no passado, com diversos abrigos, sendo que, nos últimos anos, apenas dois estavam ativos: o abrigo do Açu e o abrigo 4, localizado na Pedra do Sino. Por falta de gestão, atualmente, ambos também estão fechados, sendo as áreas de camping os únicos locais para a pernoite entre os trechos.

O agendamento é obrigatório pelo site do ICMBio. O único recurso dos abrigos que ainda pode ser utilizado são as pias, localizadas próximo das áreas de camping, porém os banheiros estão fechados.

“Os abrigos estão fechados desde que a concessionária que administrava o parque perdeu o direito de gestão, o que torna inviável a manutenção do local, já que nenhuma empresa terceirizada assumiu a responsabilidade sobre o parque”, explica Felipe.

Quando abertos, os abrigos oferecem chuveiros com água quente, sanitários, beliches para descanso e área de cozinha.

Abrigo do Açu - Travessia Petrópolis-Teresópolis - Foto Maicon Rocha
Abrigo do Açu / Foto: Maicon Rocha

Condicionamento físico: como se preparar para a travessia de 3 dias

A agência Nattrip já levou turistas de 12 a 70 anos à travessia Petrópolis-Teresópolis. “O que define se as pessoas conseguirão fazer a travessia é a saúde delas naquele período. Quando elas nos procuram para fazer a trilha, explicamos em detalhes o roteiro e pedimos que preencham uma ficha. Estar preparado é fundamental, independentemente da idade”, explica Vinicius.

Considerando o terreno técnico que você terá de percorrer durante os três dias de caminhada, o ideal é já praticar atividades físicas no dia a dia. “Quem corre três vezes por semana, de 5 km até 10 km, por exemplo, consegue fazer a trilha com conforto. É importante também a frequência em treinos de reforço muscular. Mas o mais relevante é a pessoa já ter feito atividades de montanha consideradas difíceis para se ambientar”, complementa Vinicius. Para quem mora no Rio de Janeiro, segundo ele, um bom termômetro é a Pedra da Gávea.

Uma alternativa sugerida por Maicon Rocha para quem mora na cidade e tem dificuldade em acessar trilhas, é treinar aclives e declives. “O ideal é que você tenha práticas em trilhas. Para quem mora na cidade e tem acesso a elas apenas nos finais de semana, por exemplo, recomendo que comece a treinar subidas quatro meses antes da travessia e intensifique esse treino, inclusive, com peso nas costas. O treino de musculação também é importante para fortalecer o quadril e os ombros para suportar o peso da mochila”, conta Maicon.

Checklist dos equipamentos necessários para fazer a travessia Petrópolis x Teresópolis em 3 dias

Pedimos para Flavio Eduardo Cupello, proprietário da loja Top Spin, localizada em Teresópolis, e parceira do Gear Tips, nos ajudar com os itens recomendados para a travessia em 3 dias. Confira a lista completa:

1. Vestuário

  • Calçados: “Recomendo botas impermeáveis, pois existem muitos lugares com poças de água e lama, principalmente na parte da Pedra do Sino. Chinelos para dar conforto aos pés depois da caminhada também é aconselhado.”;
  • Meias técnicas: grossas e sem costura, especializadas para trekking;
  • Calças: Flavio sugere uma calça impermeável caso haja expectativa de clima ruim, além de uma calça segunda pele para dormir;
  • Camisas: Camisas dryfit e uma blusa segunda pele;
  • Jaqueta impermeável;
  • Casaco térmico para te manter aquecido;
  • Luvas: Flávio recomenda, se possível, que elas sejam impermeáveis;
  • Gorro e bandana;
  • Óculos de sol;
  • Boné: dê preferência para os modelos que cobrem o pescoço, já que os raios solares na altitude são mais fortes.

2. Equipamentos

“Hoje, os equipamentos são minimalistas. Você tem, por exemplo, fogareiros muito menores, por isso, talvez não precise de uma mochila cargueira de 70 litros. Você pode, dependendo do seu material, levar uma mochila de 50 litros”, explica Flavio.

  • Mochila: entre 50 e 60 litros;
  • Barraca: “A dica é, durante a travessia, você dividir o volume e peso com a pessoa que compartilhará a barraca com você. Enquanto um leva o corpo da barraca, o outro carrega as varetas com o sobre teto, o que dá mais ou menos o mesmo volume e peso”;
  • Sacos de dormir: Flavio recomenda escolher um modelo da categoria 0°C, com temperatura extrema de -5°C;
  • Isolante térmico e travesseiro infláveis. O travesseiro é opcional, mas melhora o conforto durante a noite;
  • Cantil ou garrafa de boca larga para facilitar o manuseio;
  • Uma garrafa para xixi, segundo Flavio, nunca é demais para você não ter de sair da barraca durante a madrugada gelada;
  • Um par de bastão de caminhada para dar conforto para a lombar e joelhos;
  • Sacos zip lock para armazenar sobras de comidas, que não devem ficar na trilha;
  • Lanternas: Flavio recomenda levar duas, uma de melhor qualidade e uma de reserva. “Não adianta levar somente uma com um várias pilhas. O que você fará se a lâmpada queimar?”;
  • Pilhas extras (para os equipamentos que precisam delas);
  • Apito para emergência;
  • Celular com bateria: há trechos em que há sinal, e outros, não;
  • Powerbank: pode ser útil para recarregar seu celular.

Outras dicas valiosas do proprietário da Top Spin são:

  • Considerando que os banheiros do parque estão fechados e que é obrigatório transportar um kit coletor de dejetos (shit tube), Flavio recomenda os sacos estanques para armazenar as fezes. “Eles ficam bem lacrados, o que elimina o risco de mau cheiro. Outra função do acessório é armazenar itens que não podem molhar, como celular e baterias. Há diversos tamanhos que servem para várias funções”;
  • Clorin: indicado para tratar a água e evitar complicações como a diarreia, o que não é incomum e já aconteceu com o Flavio;
  • Toalhas absorventes, papel higiênico e lenço umedecido para você fazer sua higiene pessoal;

3. Kit de primeiros socorros

  • Protetor solar e labial para não rachar os lábios devido ao frio;
  • Analgésico, antitérmico, anti-inflamatório e pastilhas para dor de garganta;
  • Vaselina: “Recomendo muito que as pessoas levem vaselina para passar entre os dedos dos pés e na virilha, locais que têm muito atrito, para não ferir. Além disso, um item fundamental é o micropore para utilização em caso de bolhas;
  • Protetor auricular: “Para dormir bem, caso você tenha um vizinho que ronque. Você precisa estar descansado para caminhar no dia seguinte”.

Flavio ressalta ainda que quem vai cozinhar deve levar, além dos alimentos, fogareiro, cartuchos de gás, além de itens de cozinha, como panelas, talheres, pratos e canecas, um pouco de detergente biodegradável e um quarto de esponja para não ocupar espaço.

A loja Top Spin conta com o serviço de locação de equipamentos, o que pode tornar a sua primeira experiência mais acessível. “Locamos barracas, sacos de dormir, mochilas, bastões de caminhada, fogareiros, lanternas e isolante térmico”, conta Flavio. A recomendação é reservar os itens com antecedência, principalmente durante a alta temporada. Uma dica é se organizar e solicitar os equipamentos um mês antes da realização da travessia.

A Top Spin é parceira do Gear Tips Club e assinantes têm descontos exclusivos.

Agora que você já sabe como se preparar para a travessia Petrópolis-Teresópolis, é hora de planejar a sua viagem para ter uma experiência transformadora na natureza.

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Isabelle de Paula

Isabelle de Paula é jornalista, sócia-fundadora da DePaula Comunicação. Apaixonada por ouvir e contar histórias, atua como ghostwriter, escrevendo livros e conteúdos para diversas plataformas, e assessora de imprensa, propagando narrativas e trajetórias de pessoas, marcas e empresas. Parceira do Gear Tips, assina projetos especiais e ajuda a empresa a ganhar visibilidade na mídia.

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