Mais um artigo da na nossa série sobre fotografia outdoor! Neste texto eu falarei sobre fotografia outdoor com celular.
Durante nosso tempo por aqui, adoraria que nos conhecêssemos um pouco melhor, em alguns momentos contarei rapidamente sobre alguma experiência minha relacionada a fotografia. Além de nos aproximar, ao trazer uma visão empírica sobre os cliques ao ar livre, isso pode te inspirar na sua próxima saída fotográfica. E do lado daí, fique a vontade para enviar suas dúvidas, comentários e falar sobre seus experimentos a partir dessas leituras.
Caminhar sozinha pelos cumes, fotografar em estradas escondidas e desertas durante a noite, acordar às três da manhã em dias gelados desde as serras mais altas desde o Brasil até a Patagônia para fotografar, são algumas das experiências que me permitem compartilhar com propriedade o conhecimento adquirido até aqui.
Depois de uma década com essas práticas, posso dizer que para além do que minha câmera capturou, importa o que os meus olhos testemunharam. É através disso que posso expressar o que há de mais particular nas imagens que enxergo na natureza. Junto com mais alguns pilares, a expressão de cada um é o que cria uma verdadeira fotografia. Então, já pega essa dica, que no caminho te explico!
Já passou pela sua mente perguntas como: o equipamento que faz diferença na fotografia? É possível começar a fotografar bem sem uma câmera profissional?
Começarei, respondendo a última. Sim, é possível começar com qualquer dispositivo que tenha ou funcione como uma câmera. Para vocês terem uma ideia, comecei a fotografar com uma câmera digital da Kodak e mesmo com a limitação de qualidade da época, se comparada aos dias de hoje, considero esse momento um marco do meu início na fotografia, vez que ali comecei a exercitar algo que já estava comigo intuitivamente e que no fim das contas diz sobre a identidade de um fotógrafo.
A fotografia esteve presente em minha vida a começar pelas às câmeras analógicas de família, passando por uma inesperada Breeze Cam, que mais parecia um chaveiro e ainda assim prometia fotografias incríveis em “alta” resolução e formato VGA, chegando mais tarde a uma Kodak digital e no primeiro celular com câmera.
Tive um Samsung Galaxy S III, mas na versão Mini. Do que eu já havia tido até então, o diferencial nesse smartphone era a sua capacidade de desfocar o fundo nas fotos, o que descobri logo nos primeiros momentos de uso. Esse modelo é de 2012 e já dava para fazer cliques com uma boa nitidez, embora com falhas no que tange à luz.
A propósito, começamos a série falando sobre a luz natural e inteligência artificial e entre as características básicas de luminosidade até a tecnologia disponível para a fotografia há muito para ser explorado! Então daremos um start em truques e macetes entre esses pilares para dois diferentes tipos de dispositivos que estão presentes nos nossos alforjes, bolsos e cargueiras do mundo outdoor.
Muitas das recomendações nesse texto advém de testes e experimentos que fiz ao longo dos anos fotografando… verifiquei e aprovei!
Agora vamos para a resposta da outra pergunta!
É o equipamento que faz diferença na fotografia?
Eu digo que é um conjunto: equipamento, fotógrafo, o que é fotografado e o seu conhecimento sobre o que é fotografado. Em porcentagem eu igualo todas essas condicionantes, ou seja, cada uma delas pode ser 25% importante no resultado.
Para começar, você pode focar no seu equipamento e no que diz respeito a técnicas e recursos nele para fotografar ao ar livre.
Dicas que vão fazer diferença ao fotografar com o celular
Certamente você já tem um smartphone e há muitos truques para fotografar com ele, mas três são fundamentais e já garantem uma excelente fotografia!
A primeira dica para quem fotografa com o celular é usar o modo retrato. Em casa mesmo, em local iluminado, faça um teste com algum objeto o aproximando e afastando do celular para ver em qual distância ele fica em foco e o fundo desfocado. Esse exercício é importante porque dependendo da distância do fundo o efeito de desfoque será suave. Conhecendo melhor isso no seu aparelho vai facilitar no momento em que você estiver em um pedal ou em uma trilha. Se você visualizar um arbusto, por exemplo, e quiser que ele fique em foco e uma cachoeira desfocada, pode ser que algum arbusto de menor distância da cachoeira dê um efeito esteticamente mais bonito. Esse efeito recebe o nome de Bokeh e é muito atraente aos olhos, vez que nos faz prestar atenção primeiro no que está focado em depois num fundo que fica cinematográfico.
Após isso, a próxima dica é fazer o que chamamos de fotometria. Essa técnica, que é operada no modo manual das câmeras, está presente nos celulares com modo Pro ou mesmo em aplicativos gratuitos como o ProCamera – Capture RAW Photos para iOS e o AZ Camera – Manual Pro Cam para Android. O ProCam está na versão para iPhone 14, hoje (26/09/23), então nos anteriores ele faz ajustes de acordo com os limites da câmera disponível, mas o bom dele é poder fotografar em RAW, o que permite mais ajustes no pós-processamento. Atenção ao usar apps da Apple, pois se tiver cartão de crédito cadastrado pode ser que você baixe algum pago. De modo geral esses apps permitem que o usuário manuseie o ISO, exposição, balanço de branco e até velocidade do obturador para controlar a luz e cor de uma fotografia e é exatamente isso que define a técnica chamada fotometria. O objetivo de fotometrar é calcular a quantidade de luz para que a foto fique mais clara ou mais escura. Na própria câmera do celular, sem apps, você também pode fazer isso, basta tocar na tela para aparecer uma barra vertical amarela com o símbolo de sol (figura abaixo), mas nesse caso você só consegue mesmo deixar a cena mais clara ou mais escura, ou seja, controlar a exposição. O modo Pro, ou os controles manuais de um app permitem que você avance na fotometria, você pode deixar a velocidade do obturador maior para fotografar estrelas e rastros de carros ou cachoeira e ainda mudar o ISO para ter mais claridade caso a fotografia continue escura. Já o balanço de branco deve aparecer em um ícone com a sigla AWB, nessa opção você escolhe a temperatura que pode ir de mais fria (azul) a mais quente (laranja), esse detalhe pode dar um toque especial ao clique! Os tons mais quentes são perfeitos para natureza, pois realçam o pôr do sol, os verdes e a pele.

Outra dica é não usar o flash do celular! Aproveite a luz natural, crie condições de iluminação com uma lanterna, pode até ser a lanterna do celular, o importante ao criar uma iluminação é ficar de olho nas sombras, afaste a fonte de luz se as sombras ficarem duras e experimente mudar o ângulo da iluminação, podendo colocar a lanterna desde no chão até em uma árvore. Se você for fazer uma fotografia noturna, ilumine de longe a vegetação que ficará no quadro. Se for fazer um clique de paisagem com pessoas na frente e o fundo de natureza, coloque uma luz lateral nas pessoas e escureça a foto pela barra de controle do celular, para criar uma cena cinematográfica, ou você pode ainda usar as silhuetas das pessoas! Lembrando que no modo Pro você sempre pode usar as configurações manuais para clicar bonito! As fotografias feitas no nascer e pôr do sol sempre vão gerar cores incríveis e um melhor preenchimento da imagem, porque a luz natural vai estar mais uniforme em todo alcance da visão e isso aumenta o que chamamos de alcance dinâmica (ou faixa dinâmica) da imagem, ou seja, a distância entre os pontos mais claros e mais escuros de um cenário. Quanto mais diferença de luz e tonalidades de cores se tem em um visual, maior é a faixa dinâmica, as lentes de boa parte dos celulares não captam todas as nuances sem estourar o céu se a floresta, por exemplo, ficar clara ou floresta escura e céu preenchido do azul, por isso os momentos entre o fim da noite e início do dia ou vice-versa garantem os melhores resultados.
Aqui está uma fotografia que fiz no Pico Paraná usando esses recursos!

iPhone SE (2nd generation): f/1.8; 1/121s; ISO-64; sem flash / Foto: Taísa Maar
E para quem quer comprar um equipamento aqui estão alguns modelos:
Para escolher seu celular, pense nos seus objetivos primeiro. iPhones são excelente para fotografias de natureza durante o dia e os demais modelos que falo a seguir possuem melhor desempenho para as noturnas.
Iphone SE: com ótimo custo benefício é uma opção para quem vai comprar um celular para usar de câmera, mas não quer gastar muito. Recomendo o modelo da 2ª geração, que é o que eu uso, ou o da 3ª geração, um pouco mais caro que o 2, mas melhor no alcance dinâmico, já que vem com o recurso Smart HDR, que equilibra a iluminação das fotos. Esses modelos são ótimos para fotografia com iluminação natural, de estúdio, ou mesmo as criadas com lanternas. Também fazem excelentes silhuetas, fotografia na praia, retratos de pessoas na natureza e de rios, mares e reflexos na água. Vale dizer também que são bons modelos para quem gosta de celulares pequenos.
iPhone 14 Pro Max: Já temos aí o iPhone 15, porém alguns usuários estão reclamando que o modelo quebra mais fácil do que os anteriores a ele e ainda que o aparelho superaqueceu durante o uso. Embora eu saiba que o zoom do iPhone 15 está em um nível espetacular de qualidade, no momento vou indicar o 14, porque estamos falando aqui de fotografia outdoor e a robustez da carcaça do celular é importante para os praticantes de atividades na natureza. Ainda que mais cara, sugiro a versão Pro Max porque ele tem o Modo Ação, recurso que faz com que as fotografias não fiquem tremidas e borradas. Esse modelo é bom para quem quer fotografar movimentos ao ar livre, como corrida na trilha, escalada, corredeiras, ondas.
Samsung S21 Ultra: Já temos sucessores para ele, mas a partir do S21 Ultra os recursos de câmera da Samsung já são incríveis, com sistema de quatro câmeras, foco rápido e modo retrato automático. A vantagem do S22 Ultra é a câmera frontal, 40MP contra apenas 12MP do S23 Ultra, para quem precisa se fotografar na natureza é uma questão a ser levada em conta, por outro lado o S23 ganha na resolução das câmeras traseiras. Com as câmeras quádruplas dos Ultras, nos três modelos você fará fotografias de paisagem com grandes angulações e poderá dar aquele close em algo que estiver distante. Os três tem modo Pro.
Xiaomi 13 Lite: uma opção mais em conta que os modelos da Samsung e os iPhones, com 50MP na câmera principal. As cores das fotografias feitas com esse modelo são bastante intensas, o que ajuda quando se trata de fotografar ao ar livre, especialmente naqueles dias em que não há muito sol, mas estamos curtindo nossa aventura. O Xiaomi 13 Lite foi lançado esse ano e conta com modo Pro para as câmeras traseiras e com duas câmeras frontais, sendo uma ótima opção para quem precisa fazer autorretratos na natureza, já que uma das câmeras frontais é grande angular.
Por hoje é isso, pessoal! E como sempre digo que é o conjunto da obra que faz a diferença, então ao longo da série vamos falar dos demais pontos e também sobre as câmeras que trocam de lente.
