A história, mitos e lendas dos Templários, uma ordem militar e religiosa, ao longo do Caminho de Santiago.
Os Templários foram uma ordem militar e religiosa fundada no século XII, durante as Cruzadas, com o objetivo principal de proteger os peregrinos cristãos que viajavam para a Terra Santa. Sua história começa em 1119, quando nove cavaleiros franceses liderados por Hugo de Payens formaram a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como Templários. Eles estabeleceram sua sede em Jerusalém, próximo ao local onde se acreditava que o Templo de Salomão havia sido construído.

Os Templários rapidamente ganharam prestígio e poder, recebendo doações de terras e riquezas de nobres e reis europeus. Além de proteger os peregrinos, eles também participaram de batalhas contra os muçulmanos durante as Cruzadas, tornando-se uma força militar temida, com uma estrutura hierárquica bem organizada e uma disciplina rigorosa.

No entanto, em 1187, o líder muçulmano Saladino conquistou Jerusalém, resultando na queda do Reino de Jerusalém e na perda da Terra Santa pelos cristãos. Essa derrota significativa enfraqueceu a posição dos Templários na região e levou a uma mudança em seu foco e atividades.
Após a perda de Jerusalém, muitos Templários voltaram para a Europa e se estabeleceram em diferentes países, incluindo a França e a Espanha. O Caminho de Santiago de Compostela, uma das principais rotas de peregrinação da Europa, tornou-se um novo foco de atividade para os Templários. Eles estabeleceram várias fortalezas e hospitais ao longo do caminho para proteger e ajudar os peregrinos que viajavam para o túmulo do apóstolo Santiago.
A presença dos Templários ao longo do Caminho de Santiago de Compostela é evidente em vários monumentos e obras atribuídas a eles, como igrejas e castelos. Acredita-se que eles tenham desempenhado um papel importante na proteção e assistência aos peregrinos que passavam pelo caminho.
A presença dos Templários no Caminho de Santiago
Os Templários estiveram presentes nas “Guerras Santas” (Cruzadas) da Reconquista da Península Ibérica e formação do reino de Portugal, mas aqui vamos nos limitar a falar da influência da Ordem Templária no Caminho de Santiago.
Existem vários monumentos e obras ao longo do Caminho de Santiago de Compostela que são atribuídos aos Templários. Alguns exemplos incluem:
1. Igreja de Santa María de Eunate, em Muruzábal
Próxima a Puente La Reina, onde “todos os Caminhos se encontram”, ainda no Caminho Aragonês e isolada no campo, a igreja românica de Santa Maria de Eunate tem atraído, ao longo dos tempos, a curiosidade dos peregrinos. Acredita-se que tenha sido construída pelos Templários como um hospital e abrigo para os peregrinos. É um exemplo notável da arquitetura românica, com sua planta octogonal e sua estrutura circular. Essa forma incomum e simbólica da igreja tem despertado o interesse e a curiosidade dos visitantes ao longo dos anos. Acredita-se que a planta octogonal represente o número oito, que simboliza a ressurreição e a vida eterna.

A igreja também funcionava como um farol de orientação para os caminhantes, através de uma espécie de lanterna localizada na torre, dentro da qual se mantinha aceso o fogo que servia de ponto de referência para o peregrino. Existem diversas lendas e histórias a respeito desta pequena e bela igreja. O que não há dúvidas, é que a igreja cumpria a função de cemitério de peregrinos, graças aos enterramentos encontrados com a concha, símbolo dos peregrinos do Caminho de Santiago.
2. Igreja do Santo Sepulcro, em Torres del Rio
Sua origem templária é muito mais reconhecida do que a Ermida de Eunate, uma vez que existem vários documentos ligando essa igreja à Ordem, além de outras descobertas, incluindo corpos enterrados em torno da igreja usando trajes típicos templários. Assim como Eunate, a Igreja do Santo Sepulcro também funcionava com hospital, abrigo e farol para os peregrinos. De planta octogonal quase regular, está construída num estilo de transição românico-gótico de finais do século XII ou princípios do século XIII. Nos capitéis encontramos alegorias cheias de significado: máscaras com pássaros e serpentes que sussurram aos seus ouvidos (a sabedoria que alimenta a alma alada); pássaros de pescoço entrelaçado (símbolo da união e complementaridade das almas gémeas impelidas por um mesmo voo, pela luz de um mesmo Ideal, pelo amor que é fraternidade, fraternidade que é amor). No interior, a austeridade templária, as paredes despidas de ornamentos, de superfície isenta de qualquer pormenor estético.

3. Castelo de Ponferrada, em Ponferrada
Esse foi o local onde começou o trabalho que esses cavaleiros cumpriram tão bem em prol das peregrinações rumo à Santiago. O Castelo dos Templários não foi construído pela Ordem dos Templários (esse castelo já existia e era cuidado pelos cristãos anteriormente), mas a Ordem foi a responsável pela mudança na sua arquitetura. Assim que os Templários ocuparam o lugar, realizaram modificações principalmente nas torres existentes: elas foram derrubadas para dar lugar a doze torres que circundam toda a sua área. É de se pensar que substituir três torres por doze deveria ter uma função totalmente voltada contra invasões. Com certeza aumentar o número de torres é importante para poder vigiar todos os pontos por onde o inimigo pudesse atacar. Porém, vindo dos templários sempre há alguma coisa por detrás.

Os Templários, em se tratando de construções, não faziam algo sem ter um objetivo claro em mente e o fato de terem levantado doze torres, cada uma diferente da outra, foge de aspectos meramente defensivos. Não há no castelo de Ponferrada duas torres iguais, ao contrário de tantos outros castelos que apresentam suas torres idênticas e lhe dão unidade e beleza à construção. E isso chama muito a atenção. Estudos realizados nesse castelo revelaram um fato bem curioso. As doze torres levantadas pelos templários poderiam representar, cada uma, determinada constelação do zodíaco.
4. Igreja de Santa María la Blanca
Bonita e monumental essa igreja é uma construção românica de transição, do século XIII. Ele é uma magnífica testemunha da Ordem do Templo. No exterior destacam-se as suas imensas torres, bem como os seus pórticos lindamente decorados e esculpidos. No interior da igreja-fortaleza contemplamos a imagem branca da Virgem à qual o Rei Alfonso X, o Sábio dedicou várias das suas Cantigas de Santa María. Vemos também a imponência do túmulo do infante Don Felipe, no qual é adornado com esculturas em alto relevo, mostrando cenas da vida do infante. Uma delas é cercada por templários, provando a presença deles neste lugar.

5. Igreja Paroquial de Rabanal del Camino
Nesse caso, não estamos falando apenas da igreja, mas também da cidade de Rabanal del Camino, de origem puramente templária: resultado de um avanço da Ordem de Ponferrada, que buscava proteger os peregrinos que atravessavam as montanhas de Leon até Bierzo. Nesse sentido, a Igreja Paroquial não se destaca apenas por suas origens templárias, mas também por ser um dos poucos exemplos remanescentes do românico leonês.

Esses são apenas alguns exemplos dos monumentos e obras ao longo do Caminho de Santiago de Compostela que são atribuídos aos Templários. A presença e influência dos Templários ao longo da rota de peregrinação são evidentes em muitos locais, e
sua contribuição para a proteção e assistência aos peregrinos é lembrada até hoje.
Aliás no Caminho Francês de Santiago há um povoado chamado “Terradillo de los Templários”. se espera que tenha algo sobre os Templários em Terradillo, porém não há nada além de um albergue com seu nome. O que conta a tradição é que esse local pertenceu aos templários, não restando nenhum documento que prove a autenticidade dessa informação. Embora, como ocorre em muitos lugares que foram propriedade dos Templários, exista uma lenda local que conta que aqui, se escondia a galinha dos ovos de ouro que enriqueceu esta Ordem.
A riqueza dos Templários
Os Templários acumularam uma grande quantidade de riquezas e se tornaram uma das ordens mais influentes da Europa, mas não foi por intermédio de galinhas dos ovos de ouro, mas sim pelos seus conhecimentos e habilidades os Templários tiveram contato com os números arábicos durante as Cruzadas, quando entraram em contato com a cultura árabe e suas contribuições para a matemática e a ciência. Eles reconheceram as vantagens dos números arábicos em relação aos números romanos e começaram a adotá-los em suas atividades.
A adoção dos números arábicos pelos Templários teve várias consequências significativas. Primeiramente, os números arábicos eram mais simples e fáceis de usar do que os números romanos. Eles permitiam cálculos mais rápidos e precisos, facilitando o trabalho dos Templários em áreas como contabilidade, comércio e administração. Uma das razões para a riqueza dos Templários foi a sua habilidade em administrar e gerenciar suas propriedades e recursos. Eles desenvolveram um sistema financeiro sofisticado, que incluía a criação de uma rede de bancos e agências em toda a Europa e no Oriente Médio.
Os Templários se tornaram uma espécie de banco internacional, oferecendo serviços financeiros como empréstimos, depósitos e transferências de fundos. Eles também emitiam cartas de crédito, que permitiam que os peregrinos e comerciantes viajassem com segurança e eficiência, sem a necessidade de transportar grandes quantidades de dinheiro. Eles também desenvolveram um sistema de contabilidade avançado, que lhes permitia rastrear e gerenciar suas
transações financeiras.
A riqueza e o poder dos Templários despertaram a inveja e a desconfiança de muitos, incluindo a Igreja Católica e os monarcas europeus.
Dissolução da Ordem
Em 1307, o rei Filipe IV, em conluio com o Papa Clemente V, lançou uma campanha para destruir a Ordem dos Templários. Os Templários foram acusados de heresia, blasfêmia e práticas secretas, como adoração ao demônio. Muitos Templários foram presos, torturados e executados.

A ordem dos Templários foi oficialmente dissolvida em 1312 pelo Papa Clemente V. Alguns Templários conseguiram escapar e se refugiaram em outros países, enquanto outros foram absorvidos por outras ordens militares.
Após a supressão dos Templários, muitos de seus bens e recursos foram transferidos para outras ordens religiosas, como os Hospitalários e os Teutônicos. Além disso, algumas das práticas e conhecimentos financeiros dos Templários foram adotados por outras instituições financeiras, como os bancos italianos.
Uma curiosidade
Quando a Ordem dos Templários foi dissolvida, o rei de Portugal, Dom Dinis, decidiu não seguir a decisão papal e em vez disso, transformou a ordem em uma nova instituição chamada de Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo, também conhecida como Ordem dos Cavaleiros de Cristo.
A Ordem dos Cavaleiros de Cristo de Portugal foi fundada em 1319 e recebeu muitos dos bens e propriedades que pertenciam aos Templários em Portugal. A nova ordem manteve muitas das tradições e estrutura da Ordem dos Templários, incluindo a cruz templária como seu símbolo.

A Ordem dos Cavaleiros de Cristo de Portugal continuou a desempenhar um papel importante na história de Portugal. Ela participou de várias expedições marítimas durante a Era dos Descobrimentos, apoiando as viagens de exploração e colonização portuguesas. É claro que o Brasil se inclui aqui!
A história dos Templários continua fascinando e intrigando até hoje. Muitos mitos e lendas cercam a ordem, mas o fato é que os Templários foram guerreiros corajosos e que atuaram ativamente para proteger os peregrinos no Caminho de Santiago!
