Todos já ouviram falaram de alguma dieta da moda. Atualmente, a dieta low-carb vem ganhando cada vez mais espaço. Muito desse foco se deve ao panorama atual da população, cada vez mais pessoas com excesso de peso e doenças metabólicas. O seu uso bate de frente com o excesso do consumo de ultraprocessados, os quais inseriram um alto consumo de açúcar e carboidratos no cotidiano das pessoas. Mas, por trás dos milhares de benefícios alegados na internet pelo uso dessa dieta, se esconde grandes problemas, principalmente para quem pratica de atividade física.
O Nutricionista Homero Munaretti, vem debater esse tema mostrando os problemas do mal uso da dieta low-carb, e como pode afetar a nossa saúde.
Confira no texto abaixo:
A dieta Low-Carb, ou dieta com pouco carboidrato, é a queridinha do momento! De modo geral, ela ganhou destaque devido a grande expansão dos produtos ultraprocessados que adicionaram ao nosso cotidiano muito açúcar e farináceos de diversos tipos em diversos produtos. O que colaborou diretamente com o aumento da obesidade e doenças metabólicas na população atual, e consequentemente ligou o consumo de carboidratos a problemas de saúde.

Quando esse tipo de dieta é usada de forma controlada e correta, as repostas do organismo podem colaborar para a perda de peso, diminuição do percentual de gordura, estabilização do açúcar no sangue, otimização do processo de queima e armazenamento de gordura, modificações no limiar de fadiga, entre outras.
Mas o que muitos não sabem é que sua aplicação não é benéfica em qualquer caso e não serve para todas as pessoas. E ainda, se ela for aplicada de modo errado pode gerar queda de desempenho e sérios problemas para a nossa saúde.
A dieta com restrição no teor de carboidratos, foca em evitar os carboidratos refinados, ultraprocessados e os alimentos ricos em carboidratos. E permitindo o consumo de alguns tipos de frutas e hortaliças, carnes, óleos, castanhas e ovos. Ela pode ser algo moderado (entre 30 a 40% do valor calórico total diário ingerido) até intervenções mais severas (abaixo de 10% do valor calórico total diário ingerido).

Essa privação causa adaptações em nosso organismo para fornecer substitutos ao açúcar no nosso sistema. O que gera mudanças no metabolismo, causando maior enfoque na quebra e uso das reservas de gorduras, o aumento do uso de aminoácidos como combustível para a geração de energia e
a produção de outros componentes chamados corpos cetônicos para fornecer energia para as atividades cerebrais.

O problema é que a sua manutenção a longo prazo, principalmente em uma pessoa ativa, sem a manipulação correta dessa dieta, pode levar a problemas que variam de fadiga, hipoglicemia, dificuldade de queima de gordura por queda na taxa metabólica, perda de massa muscular, náuseas, tonturas, dores de cabeça, oscilações de humor, lesões musculares e overtraining.

Isso se dá justamente pela resposta adaptativa que o corpo produz para lidar com a privação do carboidrato. Em primeira instância, para poder fazer a manutenção da glicemia (açúcar) do sangue, o corpo utilizará o glicogênio, estoque de açúcar do nosso organismo. Após o glicogênio se esgotar, o organismo precisará usar aminoácidos como substrato, e como não temos reservas de aminoácidos no organismo, após o corpo redirecionar para essa função os que estiverem em circulação vindos da ingestão de fontes de proteínas, hormônios do estresse serão liberados para ocasionar a quebra muscular e liberação de mais aminoácidos. Esses hormônios também aumentarão a quebra e liberação dos estoques de gorduras do organismo para fornecer energia. E uma derivação do metabolismo da gordura irá gerar os corpos cetônicos para fornecer energia para o funcionamento do cérebro.

No caso de uma pessoa que pratica esportes/treina, o uso inadequado dessa dieta levará ao acúmulo dos hormônios do estresse gerados aumentando os fatores inflamatórios no organismo, o que dificultará a recuperação muscular após as sessões de treino. Sendo que a sua recuperação muscular já estaria em deficiência devido ao uso dos aminoácidos para geração de energia e devido à quebra muscular e que se potencializará pelo esforço do exercício. Outro ponto, é que a geração de energia pela via da gordura é mais lenta e necessita de mais oxigênio, isso somado ao estresse e falta de recuperação muscular irá colaborar para a fadiga e perda de rendimento. E por último, a queda da glicemia devido ao consumo pelo exercício somado a dificuldade de mantê-la estável pela ação dos aminoácidos, pode afetar o sistema nervoso central, aumentando a fadiga, gerando náuseas e desmaios, e que ainda podem ser agravados devido ao aumento dos corpos cetônicos no cérebro.
O emprego desse tipo de dieta de modo errado a longo prazo, irá aumentar as chances de o praticante de esporte ter lesões, overtraining, quedas de imunidade, e até de correr riscos como desmaiar durante a atividade.


É por isso que dietas restritivas devem ser aplicadas de modo controlado, dentro de um ciclo de dietas que contrabalanceiem seus efeitos e colabore com o aprimoramento do seu organismo rumo aos objetivos planejados, beneficiando seu desempenho e sua saúde ao final da aplicação.
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