A Alta Via 1 é uma das melhores trilhas de longa distância da Europa. São 115 km atravessando o coração dos Dolomitas, no norte da Itália, uma região que foi palco de disputa entre o Império Austro-Húngaro e a Itália na Primeira Guerra Mundial, e ainda guarda essas marcas nas montanhas: túneis escavados na rocha, trincheiras e bunkers que você encontra ao longo do caminho. Tudo isso emoldurado por paisagens com lagos alpinos, rochas calcárias, campos cheios de edelweiss (flor alpina) e refúgios que servem as melhores e mais autênticas comidas italianas.
Esse guia reúne algumas informações práticas de logística, acomodação, alimentação, quando ir e o que espera da trilha.

Dolomitas e suas rochas de cores pálidas
Ficha Técnica da Alta Via 1
- Local: Dolomitas, Itália
- Etapas: 7-10 dias
- Distância: 115 km
- Altimetria: 7.200 m positivo / 8.200 m negativo
- Temporada: Junho-Setembro
- Tipo de rota: Ponto a ponto
- Altitude máxima: 2.752m

Mapa da visão geral do percurso retirado da ferramenta Hike Planner
O que é a Alta Via 1?
A Alta Via 1 é uma trilha de longa distância que atravessa os Dolomitas do norte ao sul, ligando o Lago di Braies à cidade de Belluno. A rota oficial tem 115 km com 7.200 metros de ganho de elevação. A maioria das pessoas completam a rota entre 9 a 10 dias, o que permite um ritmo confortável. Os Dolomitas são famosos pelas vias ferratas, que podem intimidar muita gente e exigem equipamento extra. A Alta Via 1, porém, não passa por nenhuma via ferrata, e por isso é tão popular.
Ao longo do caminho, você passa por vestígios da Primeira Guerra Mundial, com destaque para os túneis da Galleria Lagazuoi, escavados durante os combates entre Itália e Áustria-Hungria, onde soldados travaram batalhas em alturas acima dos 2500m e em condições extremas no inverno. Hoje, os túneis são uma espécie de museu a céu aberto, onde é possível percorrer os túneis, e encontrar objetos e ruínas das batalhas, tudo isso com vistas panorâmicas de tirar o fôlego. Certamente um dos lugares mais marcantes durante o percurso.
Outro destaque são as diferentes formações rochosas de montanhas calcárias, de cor pálida, que durante o nascer e pôr do sol se colorem com tons de vermelho e rosa. Uma das formações mais icônicas é o Cinque Torri, um grupo de 5 rochas imponentes onde também é um local popular para escaladas.

Abertura com vistas nos túneis Lagazuoi
Como chegar ao início da trilha?
O aeroporto mais conveniente e próximo é o de Veneza. De lá, é possível ir de ônibus ou trem para o início da trilha, a depender se você deseja fazer a trilha no sentido clássico ou inverso.
Sentido clássico (Norte x Sul, Lago di Braies x Belluno): De Veneza, o Cortina Express faz o trajeto do aeroporto até Dobbiaco com uma baldeação em Cortina d’Ampezzo. De Dobbiaco, o ônibus 445 vai até o Lago di Braies com frequência.
Sentido inverso (Sul x Norte, Belluno x Lago di Braies): De Veneza, um trem de 2 horas chega em Belluno. Depois, um ônibus de 20 minutos leva até a parada La Pissa, onde a trilha começa.

Lago di Braies, um dos cartões postais do Dolomitas
Acomodação: o maior desafio do planejamento
Os Rifugios são a opção mais imersiva e, na prática, a única opção para a maioria dos caminhantes. A rota da Alta Via 1 se mantém nas alturas durante quase todo o percurso. Não há cidades, vilas ou hotéis no caminho. Isso significa que todo mundo que faz a trilha está competindo pelas mesmas camas nas mesmas noites. Some a isso o fato de que há apenas um camping oficial ao longo de toda a rota e o camping selvagem é proibido, e você entende por que as reservas podem ser um desafio.
Os rifugios variam bastante em termos de conforto. Alguns, como o Rifugio Lavarella e o Rifugio Averau, têm quartos privativos, banheiro privativo e até sauna, mais parecidos com pequenos hotéis de montanha. Outros, como o Rifugio Biella e o Rifugio Nuvolau, são mais rústicos, com dormitórios coletivos e estrutura simples.
A comida é uma das melhores surpresas da trilha. Esperávamos apenas massa, e tem e é boa, mas o que não esperávamos eram tortas e sobremesas caseiras, com frutas frescas e gelato artesanal. No fim do dia, um Aperol Spritz com vista para os Dolomitas também é uma boa pedida.
Quando reservar: o ideal é começar em setembro ou outubro do ano anterior, especialmente se você quer ir em julho ou agosto. Alguns rifugios abrem as reservas mais tarde, em fevereiro ou abril. Acompanhe as datas de abertura e esteja pronto para reservar assim que abrir.
Como reservar: não existe um sistema centralizado. Cada rifugio tem seu próprio site e seu próprio sistema. A maioria aceita reservas online, mas alguns ainda exigem e-mail ou telefone.
Uma dica: Use o Hike Planner para ver todos os rifugios ao longo da rota em um só lugar, com disponibilidade em tempo real e links diretos para reserva. Isso facilita muito a montar um itinerário sem ter que acessar 30 sites diferentes.

Rifugio Pian de Fontana, e seu sistema tradicional de “cable car” para trazer suprimentos ao topo da montanha
Quantos dias são necessários para fazer a Alta Via 1?
O roteiro mais comum é de 9 a 10 dias, com etapas diárias entre 10 e 15 km. Para quem está começando nas trilhas longas, esse ritmo é o ideal, você aproveita mais a paisagem, descansa melhor e chega em cada rifúgio mais inteiro. Se tiver menos tempo, é possível combinar etapas e completar em 7 ou 8 dias, mas prepare-se para alguns dias mais exigentes.
Qual a melhor época?
A temporada vai de meados de junho a meados de setembro. Fora desse período, as condições da trilha não são confiáveis e a maioria dos rifugios estarão fechados.
Até final de Junho ainda é possível encontrar alguma neve nos passos mais altos. Julho e agosto são os meses com mais movimento, trilha mais cheia e rifugios lotados. O final de agosto e início de setembro oferecem menos gente no caminho, clima ainda estável e mais disponibilidade nos alojamentos.

Cinque Torri, uma das formações rochosas mais icônicas ao longo da Alta Via 1
Algumas dicas práticas
Algumas coisas que aprendi ao completar a Alta Via 1:
- Reserve os refúgios com antecedência. Especialmente em julho e agosto. Se você vai fazer em alta temporada, é preciso começar a planejar com muita antecedência.
- Prepare suas pernas para as descidas. As subidas cansam, mas são as descidas longas que arrasam os joelhos. Bastões de trekking ajudam bastante.
- Não há muitos pontos de abastecimento ao longo da rota. Planeje toda a alimentação antes de sair.
- Leve camadas. Mesmo em julho, as noites de alta altitude são frias. É muito importante estar bem equipado com roupa térmica e resistente à chuva.
- Leve uma garrafa com filtro de água. Os rifugios permitem encher nas torneiras do banheiro, mas não garantem que seja potável.
- Leve dinheiro em espécie. A maioria dos locais já aceitam cartão, mas é sempre bom levar uma quantia em espécie principalmente nos trechos de alta montanha.
Por onde começar o planejamento?
Se você chegou até aqui e está animado para fazer a Alta Via 1, o próximo passo é montar o seu itinerário. O Hike Planner é uma ferramenta perfeita para planejar sua aventura. O diferencial é o mapeamento de todas as opções de acomodações, tudo em um só lugar, com todos os dados de contato e links para fazer as reservas. Para os rifugios que possuem um sistema de reserva online, você ainda poderá visualizar a disponibilidade em tempo real direto no mapa.
A Alta Via 1 exige planejamento, mas não precisa ser complicado. Com as informações certas e os recursos certos, você chega nos Dolomitas pronto para começar, e vai entender por que essa trilha é considerada uma das melhores do mundo.
Para quem quiser sentir um gostinho a mais do que é fazer a Alta Via 1, deixo um video do estilo “Silent Hiking” com imagens da trilha, refúgios e camping:
