Localizada no coração do estado da Bahia, a Chapada Diamantina é uma região rica em belezas naturais, culturais e históricas.
Seus vales, cachoeiras, morros e cânions formam um cenário perfeito para quem curte a natureza, muitos visitantes fazem os roteiros mais fáceis e famosos, mas a região abriga locais distantes e de difícil acesso, onde só é possível chegar caminhando por trilhas de longo curso, prática conhecida como trekking! Muitas trilhas estão dentro de uma unidade de conservação federal que é Parque Nacional da Chapada Diamantina, e existem áreas de proteção permanente, conhecidas como “áreas intangíveis” e por isso não conseguirei falar de todas as possibilidades que temos neste paraíso, mas sim a principais! A região é muito grande então não existe uma cidade base única, isso vai depender de qual rota você escolher.
A ideia deste primeiro artigo, é mostrar uma lista com as principais opções de trekking na região para você ter um panorama geral e nos próximos artigos vamos falar com detalhes de cada trekking.
1. Vale do Pati, considerado o melhor trekking do Brasil
Ele não é o mais famoso e cobiçado por acaso! O Vale do Pati desponta entre os melhores trekkings do mundo, não só por sua beleza ímpar, mas pelo conjunto da obra, em um único lugar temos cachoeiras, cânions, montanhas, gruta, florestas, campo rupestre, história e uma comunidade local que oferece em suas casas comida farta, quartos, camas com roupa de cama e banho, banheiros, e talvez a melhor estrutura de um trekking no Brasil.
Atrativos
Esse é o ponto mais difícil pra escrever, vou há 20 anos no Vale do Pati e não sei dizer qual o lugar mais bonito, mas anote os pontos principais e imperdíveis: Mirante da Rampa, Cachoeiras por cima e Mirante do Castelo! Mas não deixe de ir no Cachoeiras por baixo, cachoeira do Calisto, Pati de baixo e pegar o visual da fenda.

Logística
O Vale do Pati tem vários acessos diferentes, criando assim uma infinidade de opções de roteiro, dependendo da escolha e mudando o formato de circuito circular ou travessia, as distância vão variar bastante, entre 29km a 60Km e a duração também vai variar de acordo com o roteiro escolhido, entre de 2 a 7 dias. Os principais acessos são pelo Guiné (Morro do Beco e Aleixo), Vale do Capão (Via Bomba) e Andaraí. Ainda é possível acessar por Mucugê ou Igatu, porém o caminho é mais longo e selvagem.
Itinerário
Há diversas opções de roteiro para o Vale do Pati, mas vamos orienta-los pelos acessos mais fáceis e populares!
O primeiro local é a Vila de Guiné que pertence a Mucugê, e fica a 30km de Palmeiras e 42KM de Mucugê. No Guiné você tem pousadas e restaurantes caso queira chegar no dia anterior. No Guiné existe a opção de entrar por 2 caminhos, Morro do Beco ou pelos Aleixos, ambas subidas tem cerca de 300 metros de desnível, e o Beco é um pouco mais fácil por ser menos íngreme com uma caminhada entre 8km a 10Km, até as casas dos moradores; pelos Aleixos o caminho é mais curto, cerca de 7km a 9Km até as casas dos moradores! Indico o Guiné para iniciantes e pra quem está de carro e pode fazer um circuito indo e voltando pelo mesmo local.

Outra opção de entrada é o Vale do Capão distante a 22km de Palmeiras, a trilha sem duvidas é uma das mais bonitas. Ela é mais longa que a opção pelo Guiné, passa pelo rio Bomba, Gerais dos Vieiras, Gerais do Rio Preto até chegar no Mirante da Rampa, onde encontra a mesma trilha de quem vem pelo Guiné, são cerca de 19km a 23km das casas dos moradores.
A última opção que darei é por Andaraí, que são de 11km a 14km de caminhada até a casa dos moradores, Esse percurso passa na região conhecida como “Pati de baixo” que tem menos gente transitando e fica próximo ao cachoeiras por baixo. A trilha para Andaraí é indicada para sair do Vale, fazendo uma travessia entre Vale do Capão x Andaraí ou Guiné x Andaraí.
Início: Guiné, Vale do Capão ou Andaraí
Distância: Entre 29km a 60km
Duração: 2 a 7 dias
Nível Técnico: Moderado
Intensidade física: Moderada
Tipo de trilha: Circuito ou Travessia
Pernoites: Em casas de nativos ou barraca
2. Gigantes do Nordeste, para os amantes do montanhismo
Para os amantes do montanhismo, os Gigantes do Nordeste é um roteiro singular e ainda pouco popular. Este trekking passa pelas 3 principais montanhas do Espinhaço Norte, na Bahia. O Pico das Almas com 1.958 metros de altitude, o Pico do Itobira com 1.930 metros de altitude e o ponto culminante do Nordeste, o Pico do Barbado com 2.033 metros de altitude.
Localizado no sul da Chapada Diamantina, o ponto de partida para os Gigantes é a cidade de Rio de Contas, local histórico que outrora viveu o apogeu do ciclo do ouro, e atualmente abriga 300 casarões tombados pelo IPHAN.

Atrativos
Muito além das montanhas citadas acima, há outras 6 montanhas acima de 1.900 metros de altitude que pouquíssima gente subiu, destaque para o Pico do Elefante com 1.980 metros de altitude e o Pico da Lapa Grande com 1,970 metros de altitude, esse é um lado da Chapada Diamantina que guarda preservada a cultura e tradição local, em sua gente, sua arquitetura, sua culinária e nas comunidades tradicionais como os Quilombos de Barra e Bananal. A região parece que parou no tempo, carroças com roda de madeira e rurais passando pelas ruas, igrejas de 1719 ainda de pé, e o teatro mais antigo do interior do Brasil.
Logística e itinerário
Para este roteiro é necessário a contratação de um carro 4×4 para te levar até a fazenda Silvana onde começa a trilha para o primeiro desafio: O Pico das Almas, a quinta maior montanha do nordeste. O início da trilha é com pouco aclive e segue por cerca de 1 hora até o rio Queiroz, suas águas cristalinas servem para se abastecer e tomar um bom banho. Geralmente se acampa neste área ou uns 15 minutos depois nos totens de pedra, uma formação natural de rochas que apontam para o céu! Dali em diante a trilha tem cerca de 7,5 km até o cume. O final deste pico há um trecho bem exposto e íngreme, talvez esta seja a montanha mais técnica de todas, depois de alcançar o cume é necessário voltar para o acampamento base, e no dia seguinte sair cedo para o carro.
Para o segundo dia, é necessário um translado com cerca de 25km até Caimbola, onde deixamos o carro e seguimos pelo vale do Cumburú até a base do Pico do Itobira, onde vamos pegar toda água necessária para uma noite de camping no cume do Itobira, a subida da montanha é feita pela face leste até um acampamento avançado no topo do Itobira, o local tem espaço para cerca de 3 barracas apenas e oferece um visual de 360º graus deslumbrante do cume do Itobira.
No dia seguinte prepare-se para um nascer do sol fantástico e para cruzar uma das áreas mais inóspita da região. Existem duas opções para quem que ir ao Pico do Barbado, a primeira é caminhar até o Guarda Mor por uma trilha incrível com muitos visuais, sendo o principal a descida do Rolling Stones de onde é possível ver toda a serra da Tromba ou do Atalho, do Guarda Mor você pode ir a pé até Catolés ou pegar um carro, agendado previamente. Catolés tem pousada, wi-fi e banho quente, além da maravilhosa comida da dona Creuza. A segunda opção é caminhar até o Vale do Frios e dormir por lá.

Para quem dorme em Catolés é necessário ir de carro até Catolés de cima e seguir a pé por uma trilha linda, boa parte calçada de pedra. Este trecho fazia parte da estrada real da Bahia, tem uma área de mata a cerca de 1.500m. Na sequência chega-se a um passo de montanha, conhecido como “Forquilha da Serra”, de lá a trilha fica um pouco mais técnica e é preciso atenção pois o percurso não é sinalizado e tem muitos trechos de trepa pedra até chegar ao cume, numa ocasião de neblina, a melhor opção é parar, é bem difícil a navegação neste trecho.
Para quem optou acampar na Mata dos Frios a trilha não é muito utilizada e o caminho está bem fechado, aconselho um guia experiente, a navegação é bem difícil, o acesso é entre rochas, lajedos e vegetação baixa, praticamente sem marcação até o cume, a descida é feita pela trilha tradicional até Catolés de cima, onde é necessário agendar previamente um carro para o resgate.
Início: Rio de Contas
Final: Abaíra
Distância: cerca de 40KM
Duração: 4 dias
Nível Técnico: Moderado
Intensidade física: Alta
Tipo de trilha: Circuito ou Travessia
Pernoites: Barraca e pousada um noite
3. Fumaça por Baixo, a travessia mais clássica da Chapada Diamantina
Uma das travessias mais clássicas da Chapada Diamantina, são 3 dias de caminhada dura, um nível alto tanto de intensidade física, como de ganho de elevação, ou seja, é necessário bom preparo físico e uma certa experiência em trekking.
Atrativos
Literalmente a cachoeira da Fumaça é o grande atrativo desta trilha, mas engana-se quem acha que é o único. A trilha é incrível e bela, costumo falar que o caminho é a maior riqueza desta travessia, cânions profundos, vales verdejantes e cachoeiras lindas formadas pelos rios do Palmital, Fumaça e Capivara. Todo o caminho é cheio de detalhes, musgos, orquídeas e bromélias, uma natureza selvagem!
Logística
A travessia geralmente é feita saindo da cidade histórica de Lençóis, distante a 450km de Salvador. A cidade tem a maior infraestrutura turística da Chapada, com ótimas opções de hospedagens, indo de um hotel 5 estrelas a pousadas simples ou hostel para mochileiros, a uma variedade de restaurantes para todos os gostos e bolsos, um aeroporto com voos 3 vezes por semana e também 3 ônibus diários saindo de Salvador para a cidade.
O final da travessia é no Vale do Capão que também conta com uma boa infraestrutura turística. Para voltar a Lençóis ou Salvador existem vans que levam até Palmeiras(22km), de onde saem 3 opções diárias de ônibus.
Itinerário
Saindo de Lençóis você passa pelo rio Ribeirão, que foi um dos principais garimpos da época áurea da mineração do diamante. A subida é longa pela Serra do Veneno de onde se descortina o Vale do Ribeirão, o Vale do Rio São José e a cidade de Lençóis. As Cachoeiras do Palmital e Capivara são os dois grandes atrativos nesta travessia.
O primeiro dia você pode dormir de barraca ou bivacando em uma dessas duas cachoeiras, o ideal é sair cedo, para aproveitar o banho no Pamital e ir dormir no Capivara.
No segundo dia, a trilha é sempre no fundo dos cânions, entre caminhos na mata e pulando pedras na beira do rio! No primeiro trecho vamos pela borda do rio Capivara até a Toca do Macaco, onde existe uma área para camping e depois seguimos subindo o rio Fumaça até o poço da cachoeira da Fumaça em uma das trilhas mais lindas da Chapada Diamantina. Após curtir a Fumaça retorna-se pelo mesmo caminho até a Toca do Macaco.
No terceiro, e último dia, logo no início da trilha tem uma longa subida pela Serra do Macaco, que tem esse nome porque ao fundo pode-se avistar uma formação que lembra um macaco (eu acho parecido com um gorila). A subida é forte, passa pela toca das pingueiras, santuário e no queima baeta, único ponto de água na estação seca. Deste ponto até ao mirante da Fumaça por cima são cerca de 40 minutos e você encontra a trilha principal que vem do Vale do Capão, é necessário pegar a direita pra ver a Fumaça por cima, de lá até o Capão são cerca de 2h de caminhada quase plana, com uma descida apenas no final da trilha.
Importante marcar um transfer caso você queira voltar para Lençóis, ou deixe marcada a van que saí para Palmeiras às 19:30h diariamente.
A trilha pode ser feita no sentido contrário do Capão para Lençóis, nesse sentido as descidas são mais longas que as subidas!
Início: Vale do Capão ou Lençóis
Distância: cerca de 26 a 28km
Duração: 3 dias
Nível Técnico: Difícil
Intensidade física: Alta
Tipo de trilha: Travessia
4. Cachoeira do Mixila, o diamante escondido da Chapada Diamantina!
Este é um trekking de apenas 2 dias e um pernoite, porém muito legal pra quem quer se desafiar, porque apesar de curto ele tem uma subida exigente e muitos trechos de pula pedras, o que faz dele um ótimo treino para outros trekking, como o da Fumaça por baixo.

Atrativos
Neste trekking há 3 cachoeiras, todas no rio Capivarí, a primeira cachoeira traz o mesmo nome do rio e tem um belo salto. Quando o rio está cheio ela fica ainda mais bela! Rio acima encontramos a cachoeira do Poção, que como o nome já diz tem um belo poço, ideal para banho.
Logística
O ideal é pegar um carro 4×4 até o inicio da trilha, é possível ir a pé também, fica cerca de 9km de Lençóis, numa estrada em péssimas condições, com travessias de rios e uma parte com areia, conhecida como estrada do Garimpo, uma antiga ligação entre Lençóis e Andaraí.
Caso vá de carro é necessário marcar o carro de volta para o final da tarde do próximo dia.
Itinerário
Após 9km na estrada do Garimpo (de carro ou a pé) a trilha inicia próximo as “mangueiras”, nos arredores da comunidade do Capivara.
No início da trilha você caminha passando por caminhos, regos, construções e em áreas de antigos garimpos de diamante, até chegar a um córrego de água cristalina onde indico fortemente que você pegue água, já que em pouco tempo chegará ao maior desafio do dia, a Serra do Bode, uma subida forte que fica na borda leste do Parque Nacional, com grande chance de exposição ao sol forte. O Bode é íngreme e com pouca sombra, destacam-se as tocas de pedras quase no final da subida.
Ao fim da subida a trilha segue por um aqueduto antigo que quase chega no rio Capivara, atenção a trilha bifurca para o Poção ou Cachoeira do Capivarí, pegue a direita e em 15 minutos chegará na parte alta do Capivarí, cruze o rio e pegue uma trilha que descerá o cânion. Ao chegar no leito do rio, você deverá subir o rio por cerca de 200 metros até a cachoeira, um banho maravilhoso te espera! Volte para o topo da cachoeira e pegue a trilha que deixou lá em cima no aqueduto, siga por cerca de 30 ou 40 minutos até o Poção, preste atenção, para chegar na parte baixa da cachoeira pegue a direita, você verá a cachoeira pouco antes de chegar nela e se localizará bem. Acima dela fica a área para acampar, neste local também existe uma grande lapa de pedra, aqui comumente chamada de toca, onde é possível bivacar, sem o uso de barraca, mas atenção no verão, evite dormir neste local, há risco de tromba d’água.
No dia seguinte, saia cedo para aproveitar bem o local. A Cachoeira do Mixila fica no final do cânion, distante cerca de 2h do Poção, a caminhada é quase toda dentro do leito do rio, pulando pedras e atravessando a nado dois poços d’água, então se você não sabe nadar, leve um colete salva-vidas. No primeiro poço você deve deixar suas roupas, e passar apenas com roupa de banho, sugiro levar um saco estanque para colocar seu celular e enrole os eletrônicos numa toalha ou uma capa de chuva, após passar nos poços, eu garanto o frio kkk. Do primeiro poço até a Cachoeira são cerca de 30 minutos.
A volta é pelo mesmo caminho da ida, passe pelo acampamento, pegue suas coisas e retorne pela Serra do Bode até o Capivara, e pegue seu carro ou vá caminhado mais 9km até Lençóis.
Dica extra:
– Tem sinal de celular no topo da Serra do Bode.
– Leve um saco estanque da Sea To Summit, são mais confiáveis na hora de cruzar os dois poços a nado, mas não submerja.
Início: Lençóis
Distância: cerca de 17km
Duração: 2 dias/1 noite
Nível Técnico: Moderada
Intensidade física: Alta
Tipo de trilha: Circuito
Pernoites: Barraca ou Bivaque
5. Transsincorá, a maior travessia do Nordeste!
A Serra do Sincorá é uma das “sessões” mais incríveis da Serra do Espinhaço, que vem de Minas até o Rio São Francisco na Bahia. O Parque Nacional da Chapada Diamantina está inserido exatamente neste trecho muito especial do Espinhaço, devido a sua beleza cênica e biodiversidade, sem falar na quantidade rios que nascem nessa serra.
A Transsincorá consiste em cruzar todo o Parque Nacional, caminhando de ponta a ponta e pegando transporte apenas em trechos de estrada vicinais, caso não queira pegar poeira. Outra coisa importante de ressaltar é que este trekking não deve ser feito por iniciantes, pelo grau de intensidade física, são muitos dias, longas distâncias e alguns trechos técnicos, além do fato do isolamento e da quantidade de dias em grupo. Acredito que o trekking deve ser feito em etapas para ganhar experiência aos poucos, e a Transsincorá é um percurso complexo para quem está começando!

Atrativos
Essa lista aqui é imbatível, dentro de 130km de caminhada há muita coisa para ver, mas sem dúvidas os principais atrativos desse trekking são a Cachoeira da Fumacinha, o cachoeirão por cima e o Mirante da Rampa, ambos no Vale do Pati, além do Morrão e Morro do Pai Inácio, as paisagens do Gerais do Rio Preto, Tomba Cachorro, Cânion da Fumacinha por cima e Gerais dos Vieiras são paisagens de extrema beleza!
Logística
Você pode começar pelo Norte pela cidade de Lençóis, mas isso implicará em deixar os 2 dias mais difíceis para o final, eu indico fortemente você iniciar por Ibicoara no Sul do Parque. Tem ônibus da viação CIDADE SOL saindo de Salvador para Ibicoara às 19h, todas as segundas, quartas e sextas. Dentro da Chapada as cidades de Seabra, Tanquinho de Lençóis, Andaraí e Mucugê tem ônibus pela viação Novo Horizonte, os horários variam muito, o melhor é pesquisar no site da Viação Novo Horizonte.
Existem voos 3 vezes por semana pra Lençóis saindo de São Paulo e Rio de Janeiro com escalas em Belo Horizonte ou Salvador, pelas empresas Azul ou Gol. Confira os horários e valores nos sites da cias aéreas.
Há também a necessidade prévia de organizar transporte de Ibicoara para início da trilha. No Vale do Capão você deve marcar dois transfers previamente, do Bomba para a Vila do Capão na chegada do sétimo dia, e da vila até o início da trilha das Águas Claras, no último dia, e por fim em Poném, que fica no extremo norte do Parque Nacional, na BR 242, próximo ao Morro do Pai Inácio.
Espere caminhar todos os dias cerca de 8 a 9h por dia!

Itinerário
Inicie cerca de 5 da manhã, para que seu dia renda mais!
De Ibicoara até o Baixão são cerca de 35km de estrada de terra, eu indico reservar um café da manhã no Baixão, existem várias pousadas rurais onde você pode tomar um bom café com preço justo. O primeiro dia é duro, muitas travessias de rio, e pula pedra até o acampamento 1, depois segue o caminho até a cachoeira da Fumacinha e volta até o acampamento próximo da cachoeira do Encontro.
O segundo dia também é pesado, começa com uma subida forte pela fenda da Fumacinha, há cordas, escadas e cabo de aço na trilha até o rapo do cânion da Fumacinha, lugar com uma vista impressionante! Agora é chegar até a Toca do Vaqueiro, local do segundo pernoite.

O terceiro dia é o mais tranquilo fisicamente, mas a navegação é muito difícil, não tente ir sem guia. Nesse trecho não há trilha definida, eu passei numa exploratória com a Mayara Abreu em abril de 2021, e de lá para cá tivemos cerca de 15 grupos comerciais, mas não existe uma trilha definida! Esse dia são apenas 10km e quase todo plano até o córrego do Riachão.
O quarto dia é longo, são 21km até Mucugê, saia o mais cedo possível. A navegação continua ruim, trilha fechada até a cachoeira da Matinha onde de lá há uma trilha bem aberta e depois uma estrada antiga até a cidade! Boas pousadas e bons restaurantes te esperam em Mucugê, uma cidade histórica, a primeira cidade onde descobriram os diamantes na Chapada Diamantina.
No quinto dia são quase 20km de caminhada com as paisagens incríveis do Vale do Rio Preto. Tenha cuidado ao cruzar o Rio Paraguassu, este pode ser um grande problema caso o rio esteja alto. Destaque para a Lapa do Caboclo onde há pinturas rupestres e para o acampamento no córrego do Tomba Cachorro que tem uma das vistas mais incríveis do Parque Nacional, rodeado de montanhas como Monte Zeca e Monte Azul! Aprecie este dia, provavelmente será o ultimo dia sem ver pessoas na trilha.
No sexto dia você chegará no Vale do Pati, 100% de chance de encontrar pessoas na trilha. O destaque fica para a vista indescritível do Cachoeiras por cima, e o final da tarde na descida do arrodeio, entrando no Vale do Pati. A dormida pode ser em camas e terá uma ótima recepção e boa comida!

O sétimo dia, é sem dúvidas um dos mais bonitos, destaque para o Mirante da Rampa, visão panorâmica do Vale do Pati e para caminhar na borda do gerais do Rio Preto e cruzar o impressionante gerais dos Vieiras, a chegada no Vale do Capão também impressiona pela beleza, como eu disse na logística, tome um carro (previamente agendado) até a Vila do Capão, onde encontrará boas pousadas, boa comida e uma atmosfera paz e amor!
Pra fechar a travessia, nesse dia indico sair de carro pra não pegar 10km de estrada e poeira, vá de carro até o inicio da trilha das Águas Claras. Destaque para a vista do Morrão, montanha icônica da Chapada, a pequena cachoeira das Águas Claras e o final da travessia onde você fica literalmente rodeado de montanhas com Pai Inácio, Morro do Camelo, Serra da Bacia, dos Brejões, dos Cristais e o Morro da cara Suja, enfim, o último dia termina com chave de ouro, no meio destes morros passa a BR242 onde é necessário deixar um carro previamente marcado para o resgate!
Sugestão suba o Morro do Pai Inácio e terá uma grande vista da Chapada Diamantina!
Início: Ibicoara
Distância: cerca de 130km
Duração: 8 dias/ 7 noites
Nível Técnico: Moderada
Intensidade física: Alta
Tipo de trilha: travessia
Pernoites: Barraca, Pousada e Casa de Moradores (opção de bivaque noites 1, 2 e 5)
Enfim, caso tenha interesse em saber mais ou queira participar de algum grupo já formado, entre em contato comigo pelo site www.chapadatrekking.com.br e qualquer dúvida comente aqui para eu poder lhe responder!
Boas aventuras!
