Se você já sentiu câimbras durante ou após uma trilha longa, com certeza ouviu de alguém que isso era falta de sais! Ou escutou que para você não desidratar é necessário tomar sal ou isotônicos para repor os sais perdidos no suor!

Fácil de tomar, carregar e prometendo muitos benefícios, os suplementos de reposição de sais entraram com tudo no mercado do montanhismo. Compostos por minerais como Sódio, Fósforo, Magnésio, Potássio e Cloro, eles foram criados para suplementar atletas após perdas de sais pelo suor. As pesquisas que deram base para o seu uso demonstraram que as perdas de sais ocorrida pela sudorese do atleta modificava a osmolaridade do sangue o que prejudicava o funcionamento do coração, músculos, transporte de nutrientes, circulação e atividades enzimáticas, prejudicando a saúde e desempenho do atleta.

Segundo estudos, os Atletas podem apresentar uma perda de 0.3 a 2.4L/h de suor variando de acordo com a adaptação, clima, organismo, altitude etc. Mas, perdas de líquido maiores de 2% do seu peso corporal, e a diminuição de sódio no sangue abaixo de 130mEq/L ocasionam em perda de desempenho e provocam problemas na saúde do atleta.
Para evitar essas perdas, é recomendado para atletas ingerir cerca de 0,4 a 0,8L de água por hora de exercício, e adicionar cerca de 0,4 a 0,7g de sódio a cada litro, com esses valores se adaptando conforme individualidade, e exposição a fatores que aumentam a sudorese e perda hídrica.

E é aí que mora o problema! O uso das pastilhas de sais nos esportes de aventura, na maioria das vezes é feito de forma amadora, sem a avaliação e orientação de um profissional. Com isso, os fatores que influenciam na perda de água e sais, assim como a avaliação da quantidade total perdida são negligenciados, o que ocasiona em uma reposição inadequada ou excessiva de sais.
Nos esportes de aventura temos diversos fatores específicos que requerem a nossa atenção quando se planeja a reposição de sais. Fatores como a limitação da quantidade de água que podemos carregar e a que temos acesso durante uma trilha, possui influência direta no montante de água que podemos ingerir e na quantidade de sais a serem repostos. Outro ponto muito relevante, principalmente em esportes de altitude, é que a perda de água em ambientes frios ocorre em maior quantidade pela respiração e não pela pele como em lugares quentes, o que significa uma grande perda de água com pequenas perdas de minerais. E mesmo assim, antes de sair suplementando, ainda é necessário contabilizar o sódio ingerido pela alimentação. Alimentos industrializados que são amplamente utilizados em trilhas, seja por sua durabilidade ou facilidade de consumo e preparo, e apresentam quantidades relevantes de sódio, e não são só eles, pois os alimentos in natura também possuem sódio e outros minerais.

Portanto, o uso inadequado dos suplementos de sais pode impactar tanto quanto a falta dos sais no organismo. O excesso de sais pode levar a um aumento da osmolaridade do organismo, ocasionando em por exemplo no aumento da pressão sanguínea, batimentos, frequência respiratória, o que em esportes como o montanhismo de altitude pode colaborar para a ocorrência ou piora dos males de altitude. Além de ocasionar o agravamento do quadro de desidratação, aumento das câimbras e da sede, diminuição da disposição etc. Outro ponto é que câimbras são multifatoriais, podem acontecer por falta de treinamento do musculo, por exaustão, falta de energia e alterações dos sais. Por isso, antes de suplementar, converse com um profissional nutricionista, busque informações confiáveis e evite esses transtornos que podem prejudicar a sua trilha e sua saúde!
