A recém-inaugurada Trilha Nacional Volta ao Rio, maior circuito de ecoturismo do estado do Rio de Janeiro, com 3.500 km de extensão, recebeu seu primeiro caminhante: o veterano em trilhas de longo curso Luiz Aragão. Em cerca de quatro meses, mais precisamente 127 dias em atividade, dos 131 em que ficou fora de casa, Luiz percorreu 2.200 km a pé, de bicicleta, caiaque e canoa caiçara.
A nova trilha de longo curso do estado passa por mais de 50 municípios. O ponto de partida de Aragão foi o Parque Nacional da Tijuca, no dia 1º de maio de 2026. O objetivo do voluntário, que finalizou a expedição em 8 de setembro de 2026, foi testar o traçado e a logística para que outras pessoas possam, no futuro, percorrer a Volta ao Rio com segurança e planejamento. Em julho de 2025, Luiz Aragão também foi o pioneiro a percorrer a Trilha Transmantiqueira, realizando um trabalho semelhante.
“Avaliamos possíveis áreas para acampar, hospedagens, pontos de alimentação, farmácias, mercados, transporte e outros serviços de apoio. Esse levantamento é essencial tanto para quem pretende realizar pequenas etapas quanto para quem deseja percorrer grandes trechos ou completar todo o circuito”, conta Luiz.

Parque Nacional da Serra da Bocaina
Ao passar por áreas protegidas como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Estadual dos Três Picos, o Parque Nacional do Itatiaia, Parque Nacional da Serra da Bocaina e quase 100 unidades de conservação, o mineiro, que mora em Taubaté (São Paulo), encontrou uma diversidade que não imaginava.
“Eu conhecia principalmente a capital. Depois de atravessar o estado caminhando, pedalando e remando, enxerguei um estado diverso, com montanhas, serras, vales, áreas rurais, florestas, rios, lagoas, praias e cidades. Cada mudança de ambiente parecia apresentar um novo Rio de Janeiro. As transições entre a região serrana, o litoral norte, a Serra da Mantiqueira, o Vale do Paraíba, a Serra da Bocaina, a Costa Verde e a capital foram marcantes”, explica Luiz.

Luiz Aragão no Parque Nacional da Bocaina

Passagem pelo Parque Nacional do Itataia
O voluntário também ressaltou a segurança da experiência, a hospitalidade e a solidariedade dos fluminenses, que abriram suas casas para compartilhar refeições. Ao final dos 2.200 km, a bagagem de Luiz carregava uma dose extra de otimismo e de crença nas relações humanas.
A expedição reforçou para Aragão a importância das trilhas como instrumentos de aproximação das pessoas com a natureza, de valorização das unidades de conservação e de apoio às iniciativas de conservação e conectividade das paisagens.
Desafios da Volta ao Rio
Acostumado a percorrer longas distâncias a pé e a acampar de forma autônoma, seu maior desafio foi integrar a caminhada às outras modalidades, com as quais tinha menos experiência.
“O maior desafio psicológico foi a navegação pelo Rio Imbé e pelos sistemas lagunares até o litoral. Foram cerca de cinco ou seis dias remando sozinho, atravessando lugares que eu conhecia apenas por imagens de satélite e acampando em pontos previamente estudados, o que exigiu muita atenção, experiência e equilíbrio emocional. Ao chegar ao litoral e constatar que havia dado tudo certo, senti uma enorme realização”, detalha.

Navegação foi o maior desafio psicológico de Luiz Aragão
Já o maior desafio físico foi de bicicleta, na subida entre o Vale do Paraíba e as partes mais elevadas da Serra da Mantiqueira, nas proximidades do Parque Nacional do Itatiaia, devido ao desnível expressivo, que tornou o trecho exigente.

Estrada entre Paty do Alferes e Araras – Petrópolis.
Volta ao Rio conecta outras trilhas consagradas
Idealizada e gerida conjuntamente pela Rede Brasileira de Trilhas, por instituições parceiras e com a participação ativa da governança das trilhas integrantes, a Volta ao Rio é um circuito multimodal que interliga unidades de conservação federais, estaduais e municipais.
A nova trilha de longo curso pode receber desde pessoas interessadas em passeios de um fim de semana até praticantes de trekking preparados para uma jornada de vários meses. Isso porque a Volta ao Rio não é uma trilha contínua e uniforme. Ela conecta várias trilhas já consagradas que hoje pertencem à Rede Brasileira de Trilhas, como a Transcarioca, a Transmantiqueira, a Volta da Ilha Grande, a Volta das Águas de Rio Claro, entre outras.

Mapa da Volta ao Rio
Segundo Hugo de Castro, coordenador-geral da Trilha Volta ao Rio, o objetivo final é conectar os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro através da rede de trilhas.
“A expedição de teste realizada por Aragão foi o pontapé inicial que já mobilizou mais de 50 cidades e atrai novos municípios a cada dia. Queremos dar opções para que o visitante monte seu próprio circuito e descubra o Rio de Janeiro por novos caminhos”, explica.
A expectativa é que a Trilha Nacional Volta ao Rio se consolide como o principal produto de turismo de natureza do estado (e um dos mais relevantes do Brasil), posicionando o Rio de Janeiro como referência internacional em turismo sustentável.
Além do potencial turístico e econômico para os municípios envolvidos, a consolidação da trilha serve como uma valiosa ferramenta de conservação ambiental, criando corredores ecológicos entre parques e ajudando na fiscalização ambiental em áreas isoladas do estado.
A Volta ao Rio é uma iniciativa integrada com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro (TurisRio), com apoio do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério do Turismo e das prefeituras que aderiram à iniciativa.
