O trail running é uma modalidade que exige planejamento. Assim como a seleção dos tênis e das roupas para treinos e provas, a escolha da mochila ideal é uma decisão pessoal, mas deve atender a algumas características fundamentais.
Fatores como os locais, as distâncias, o clima e a temperatura determinam a escolha do tamanho da mochila de trail running, que deve comportar os equipamentos e o sistema de hidratação necessários para garantir conforto e segurança.
Conversamos com atletas para ajudar você a escolher o modelo ideal de mochila, além de apresentar inovações do mercado outdoor e oferecer outras dicas para que você tenha um ótimo desempenho nas corridas em meio à natureza.

The North Face Vest 8 em uso na Summit Race Day – Rosália Camargo
Características das provas de trail running que impactam a escolha da mochila
Distância das provas e equipamentos obrigatórios
Passar horas correndo em trilhas exige um planejamento cuidadoso em relação à alimentação e hidratação. Por isso, é recomendada uma mochila com espaço suficiente para o transporte de água, além de bolsos para gel e outros itens essenciais.
É comum que muitas provas de trail running de longa distância exijam uma lista maior de equipamentos obrigatórios, que podem incluir lanternas e até manta térmica, o que torna fundamental a escolha de uma mochila que tenha compartimentos para carregá-los.
Clima, temperatura e bioma
As condições climáticas e o local onde você vai correr durante uma prova de trail running impactam significativamente na escolha da mochila, principalmente em relação ao tamanho e ao sistema de hidratação. Se você for correr na serra durante o inverno, por exemplo, será necessário levar mais roupas de frio para se manter aquecido, o que exigirá uma mochila mais volumosa.
Você não utilizará, necessariamente, todo o vestuário durante as provas, mas ele é fundamental em momentos de pausa, caso ocorra algum acidente. Estar despreparado em ocasiões como essa pode gerar complicações como hipotermia.
Caso a prova ocorra em um local mais seco e árido, com pouca disponibilidade de água, é fundamental estar atento ao espaço reservado para o sistema de hidratação – seja por garrafas ou reservatórios – para garantir conforto e segurança durante longos períodos.
Como escolher o tamanho adequado de mochila para trail running
A escolha do tamanho ideal para as mochilas de trail running envolve dois aspectos: o volume recomendado para carregar os equipamentos, o sistema de hidratação e alimentação, e o seu tipo físico para garantir mais conforto e desempenho durante os treinos e as competições.
1. Escolha da mochila por volume
As características da prova de trail running que você fará determinarão o tamanho e o modelo, que pode variar desde coletes até mochilas com capacidade entre 2 e 20 l. Para escolher o modelo ideal, você deve considerar o tempo que passará na trilha, os equipamentos obrigatórios, a quantidade de hidratação necessária e a disponibilidade de água oferecida durante o trajeto. Caso a prova tenha muitos postos de hidratação, você poderá reabastecer garrafas e reservatórios com frequência.
Em provas mais curtas, como a modalidade short (8 km), da WTR Serra do Mar, por exemplo, recomenda-se levar um sistema de hidratação com 500 ml de água. Portanto, neste caso, você pode optar por uma pochete ou uma mochila menor. Já na Ultra (56 km), é obrigatório transportar um sistema de hidratação de 1,5 l, além de equipamentos como lanterna e manta térmica, o que exigirá uma mochila com mais volume.
“Quanto maior a obrigatoriedade, maior o tamanho da mochila. Em provas como a Patagonia Run, na Argentina, por exemplo, você deve levar mais equipamentos, dependendo do clima, como calças”, explica Pedro Lacaz Amaral, fundador do Gear Tips.
Esse é um dos critérios utilizados pela atleta Rosalia Camargo na hora de escolher a mochila correta. “Em provas de 100 milhas, como a HOKA Kodiak, do UTMB, nos Estados Unidos, os itens obrigatórios são somente o telefone celular e uma garrafa de água de 500 ml, o que me permite usar um colete. Em compensação, se você fizer o UTMB de Paraty, terá que levar calça, casaco impermeável e uma segunda pele, por exemplo. Portanto, a mochila requer volume maior.”
A escolha adequada do tamanho da mochila de acordo com o tipo de prova também é um ponto de atenção alertado pelo atleta e treinador André Medeiros para evitar imprevistos. “Já participei de provas com mochilas grandes demais para carregar poucos equipamentos e foi uma experiência bastante incômoda. Ela chacoalhava muito nas costas.”
Como os sistemas de hidratação influenciam na escolha do volume da mochila
A maior parte das marcas oferece bolsos frontais para acomodar flasks (garrafas flexíveis) e espaço para incluir um reservatório de hidratação na parte traseira. Os critérios para a escolha da mochila são pessoais, mas é essencial avaliar a quantidade de água que será necessária, considerando as regras das provas. Se for obrigatório transportar, por exemplo, 2 l, talvez você precise de um reservatório nas costas, já que as flasks geralmente comportam 500 ml cada.
A CamelBak, marca reconhecida por suas mochilas de hidratação, disponibiliza modelos que acompanham flasks e outros com reservatório. “A escolha depende da estratégia de cada pessoa e do local onde ela vai correr. Eu, por exemplo, transpiro muito e levo para algumas provas o reservatório nas costas com água e o isotônico nas garrafas, para me manter hidratado ao longo da prova”, explica Pedro.
Segundo ele, é importante lembrar que ao optar por carregar o reservatório nas costas, o volume interno da mochila será reduzido. Nesse caso, ele recomenda a deuter Ascender 13 que possui um espaço interno maior, permitindo organizar o volume de líquido. “Foi a escolha ideal para enfrentar a desafiadora prova El Cruce, uma corrida de 100 km, divididos em três dias, nas montanhas da Patagônia Argentina. Com essa mochila, é possível carregar até 3 l de líquido.”
Neste vídeo, Pedro faz um review das mochilas deuter Ascender 7 e 13:
2. Avaliação do seu tipo físico
Ao procurar uma mochila que se adeque melhor às suas características físicas, você encontrará no mercado alguns produtos que oferecem modelos unissex únicos, com fitas de compressão para ajuste; outros divididos por gênero; ou, ainda, modelos disponíveis em tamanhos como P, M, G e até GG, que podem variar nas versões femininas e masculinas.
Um dos modelos utilizados por Rosalia Camargo é a Mochila Summit Run Race Day 8, da The North Face. “Como sou muito pequena, sempre escolho o menor tamanho. Uma mochila muito grande pode ficar balançando no corpo, enquanto um modelo pequeno pode apertar e prejudicar a corrida. Isso é muito importante. Os modelos da The North Face, por exemplo, variam do tamanho P ao GG.”

The North Face Vest 8 em uso na Summit Race Day – Rosália Camargo
Uma dica importante de André Medeiros é avaliar se, ao fechar a mochila, a alça do lado esquerdo não fica muito próxima à do direito, o que pode causar desconforto, principalmente devido ao peso a ser carregado. O ideal, segundo o treinador e atleta, é deixar um espaçamento de cerca de quatro a cinco dedos entre eles.
“Mesmo mantendo essa distância, você notará que, no meio de uma prova intermediária, entre 20 e 30 km, a mochila já estará mais ajustada ao corpo, porque perdemos líquido durante a corrida. No início, nosso corpo está com 100% de reserva de água, mas, principalmente no verão, perdemos muito líquido. No final, é possível que esse espaçamento seja reduzido para apenas dois dedos. Por isso, não escolha uma mochila muito justa”, explica André.
Conforto e praticidade: itens essenciais para a escolha da mochila de trail running
Fatores como quantidade de bolsos, a leveza da mochila, alças e elásticos também são essenciais para quem busca conforto, praticidade e desempenho nas provas de trail running. Confira algumas recomendações dos atletas:
Quanto mais bolso, melhor
Um dos pontos determinantes que levam Rosalia Camargo a investir em uma mochila para trail running é a praticidade oferecida pela quantidade de bolsos. “Além do espaço para comportar duas garrafinhas na frente, é essencial que a mochila tenha bolsos frontais de fácil acesso. Quando você está correndo, parar para pegar algo na parte de trás, como gel ou cápsulas de sal, é bastante complicado. Quanto mais bolsos, melhor, pois você consegue organizar os alimentos de forma mais prática”, explica.
Tanto Rosalia quanto André Medeiros apontam a deuter Traick 9 como um modelo que supera as expectativas na hora de escolher uma mochila para trail running. Ela conta com doze bolsos bem distribuídos e de fácil acesso. “Há um bolso lateral bem extenso, além de um bolso transversal na altura da lombar, que acompanha toda a dimensão da mochila. Esse bolso é ótimo para guardar itens como a headlamp”, destaca André.
O atleta também recomenda a Apex Pro Vest CamelBak, uma mochila que possui nove bolsos de fácil acesso para alimentos, água e outros itens essenciais, além de um bolso seguro com zíper para o celular.
Para o ultramaratonista Alexandre Gonçalves, quem busca performance sabe que cada segundo é importante. Por isso, os bolsos de uma mochila devem ser de acesso rápido e prático para facilitar a suplementação durante as provas.
O atleta utiliza o modelo Colete Mochila Fast 10L, da Kailash, que recomenda tanto para provas longas, que exigem mais equipamentos, quanto para provas mais curtas, por ser uma mochila compacta. Ao todo, são 10 bolsos. “Na parte traseira, há um bolso elástico com um espaço grande, ideal para carregar uma maior quantidade de equipamentos. Na parte superior, há outro bolso, assim como nas laterais. Como eles são feitos de material elástico, cabe bastante coisa”, explica Alexandre.

Colete Mochila Fast 10L da Kailash – Alexandre Gonçalves
Mais leveza ao carregar os equipamentos
Além dos bolsos disponíveis na mochila deuter Traick 9, Rosalia e André também destacam o conforto proporcionado por seu tecido. “Nunca vi nada igual ao mesh da mochila, que é elástico e respirável. Não conhecia essa tecnologia e me apaixonei”, comenta Rosalia.
André utiliza o modelo em treinos especiais realizados aos sábados. “É uma mochila extremamente confortável, versátil e flexível. Apesar de comportar bastante coisa, não parece ter 9 l de capacidade. Além disso, o modelo acompanha 8 tiras de elásticos, o que facilita o transporte de bastões e ainda oferece reposição caso alguma delas arrebente.”

Mochila para trail running deuter Traick 9 – André Medeiros
Além do modelo da deuter, Rosalia também recomenda as mochilas da The North Face, elogiando sua qualidade similar. “As mochilas são finas, leves e possuem muitos bolsos.”
Para Alexandre, quanto mais elástica e compacta for a mochila, mais fácil será o ajuste ao corpo, proporcionando maior conforto e permitindo melhor performance na corrida. “O Colete Mochila Fast 10L, da Kailash, é respirável e bastante elástico tanto na parte frontal quanto nas laterais, além das áreas de ajuste e das alças. Ele é muito estável durante a corrida e não machuca o corpo. A mochila não deve ser um peso extra durante a corrida, especialmente em provas longas.”
Praticidade para quem utiliza bastões de trail running
Se você utiliza bastões de corrida, é imprescindível que a mochila facilite seu transporte e manuseio, já que, em muitas provas, o equipamento será usado apenas em trechos específicos.
André Medeiros destaca que os chamados quivers, uma espécie de saco confeccionado em tecido, são bastante práticos. Segundo o atleta, as mochilas Zephyr Pro Vest e Apex Pro Vest, ambas da CamelBak, vêm equipadas com esse porta-bastão removível na parte traseira. Há, inclusive, um espaço para enrolar e guardar o acessório quando não estiver em uso. “Isso garante muito mais conforto para carregar os bastões do que os cintos presos na linha do abdômen.”



CamelBak Zephyr Pro Vest (1), deuter Ascender 13 (2) e deuter Traick 5 (3)
Já as mochilas da deuter possuem formatos diferentes para fixação e transporte dos bastões: o modelo Ascender, por exemplo, possui um bolso frontal que facilita o acesso, enquanto o modelo Traick possui elásticos para fixação dos bastões, que podem ser colocados tanto na parte traseira quanto na parte da frente, nas alças da mochila.
Neste vídeo, Pedro Lacaz Amaral mostra essa e outras funcionalidades da Zephyr Pro Vest:
Outras dicas para garantir conforto ao usar mochilas para trail running:
– Avalie bem as alças: é importante certificar-se de que as alças não machucarão os ombros. “Existem alguns modelos com muitas espumas nas alças que acabam machucando. Prefiro os modelos mais simples”, conta Rosalia.
André Medeiros explica que, ao correr com bastante peso, é normal que a mochila balance um pouco, esticando as alças, especialmente se forem muito finas. A recomendação é escolher alças mais largas, que oferecem mais conforto diante da tração.
– Cores claras em corridas quentes: outra recomendação de Rosalia é pensar na cor da mochila de acordo com a prova que você fará. “É importante para evitar o aquecimento excessivo do corpo. Na prova de 100 milhas da Western States, nos Estados Unidos, por exemplo, usei uma mochila branca da The North Face, pois é uma prova muito quente.” A mochila clara também foi escolhida pela atleta nas 100 milhas da HOKA Kodiak, da UTMB.

The North Face Vest 8 em uso na UMTB Kodiac 100 milhas – Rosália Camargo
Boa opção para quem está começando no trail running
Uma dica para quem está começando no trail running é a Mochila de Hidratação 3L Trail Run NTK para Corrida, lançamento da NTK em 2025.
Guilherme Guedes, corredor desde 2010, apontou como principais características o material de ótima qualidade, as alças largas e confortáveis e as redinhas que seguram bem as garrafas de 500 ml de água e os lanches. Ele destaca também o tamanho maior do zíper em comparação com mochilas de outras marcas que, segundo ele, facilita o manuseio com as mãos suadas.
Guilherme tem 1,75 m, e a mochila se adequou bem ao seu corpo. “Me senti bem confortável em relação ao tamanho nas costas e debaixo do braço.”

Mochila NTK Trail Run 3 L – Guilherme Guedes
Se possível, adote uma mochila para treinos e outra para as provas de trail running
Assim como os tênis para trail running, as mochilas se deterioram com o tempo de uso. Por isso, os atletas recomendam reservar um modelo apenas para os treinos e outro para as provas.
Rosalia explica que segue essa recomendação por dois motivos. “O primeiro é psicológico. Como uso mochila todos os dias, eu gosto de correr com um modelo diferente na prova para sentir que é um dia especial. Mentalmente, para mim, isso é importante. O segundo motivo é que a mochila usada no dia a dia sofre desgaste. Usar uma mais nova exclusivamente para as provas ajuda a preservar o material.”
André Medeiros aponta que, além da mochila usada no dia a dia ter uma vida útil mais curta, diversos itens podem se deteriorar, como os elásticos, por exemplo. “Ter uma mochila mais nova para as provas ajuda a evitar surpresas.”
Uma recomendação dos atletas é fazer alguns treinos com a mochila que será usada nas provas para ajustá-la ao corpo. “Correr com a mochila exige uma mecânica diferente e é mais um item que você carregará no dia da prova”, explica Rosalia.
3 dicas para conservar as mochilas de trail running
1. Não lave as mochilas em máquinas de lavar
Apesar de parecer mais prático, lavar as mochilas em máquinas pode danificá-las, desgastar os zíperes e os elásticos. Lave-as com água e sabão. Uma dica é aproveitar a hora do banho!
2. Escolha um local com sombra para secar as mochilas
O excesso de sol pode desbotar as mochilas. Prefira um local com sombra. Em dias muito quentes, as mochilas secam rapidamente. Deixe os bolsos frouxos para evitar que o elástico resseque.
3. Leia o manual de instruções!
Para um cuidado efetivo, é fundamental conhecer o produto. Leia os manuais com atenção e siga as instruções das marcas.
Também te convidamos para assistir ao vídeo “Tudo sobre Mochilas para Trail Running | CamelBak e Deuter”, que explora em detalhes as mochilas e sistemas de hidratação mais indicados para trail running das marcas CamelBak e Deuter.
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