Hoje, quem visita os municípios de Trajano de Moraes e Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro, encontra opções de trilhas bem estruturadas e sinalizadas, com belezas naturais exuberantes, atrativos históricos e culturais, além do fácil acesso aos serviços locais.
Ambos têm em comum um objetivo claro: promover o desenvolvimento econômico local por meio do ecoturismo organizado e sustentável. A proposta é transformar trilhas em experiências completas, que combinam segurança, orientação, interpretação ambiental e conexão com o território.
Por trás desses destinos, entre outros, que passam a integrar o mapa do turismo ecológico brasileiro está o trabalho da eTrilhas em parceria com prefeituras e comunidades locais.
“O planejamento é essencial para que uma trilha deixe de ser apenas um caminho informal e se torne um produto estruturado de ecoturismo, capaz de gerar benefícios reais para o território. A atuação da eTrilhas junto às prefeituras organiza esse processo de forma técnica, participativa e sustentável, desde o diagnóstico inicial até a ativação da trilha como produto turístico”, explica Paula Rascão, fundadora da eTrilhas.



Equipe da eTrilhas durante o mapeamento e geração de conteúdo audiovisual nos municípios de Trajano de Moraes e Rio Claro.
A metodologia desenvolvida pela eTrilhas é baseada em sete etapas:
- Levantamento e análise de informações existentes
- Escutas e oficinas participativas com a comunidade
- Mapeamento técnico em campo para definição e validação do traçado
- Classificação da trilha
- Planejamento da sinalização
- Capacitação de atores locais (empreendedores e condutores)
- Desenvolvimento de conteúdo e ativação digital por meio da plataforma eTrilhas
Foi a partir dela que nasceu, em 2022, o projeto Caminhos de Trajano de Moraes, que já apresenta resultados expressivos para o município, antes pouco conhecido. No estado do Rio de Janeiro, a eTrilhas também atua em Rio Claro e Paty do Alferes, que estão em fase de implementação da infraestrutura necessária.
A expansão segue para outros estados, com três novas iniciativas em andamento no Mato Grosso do Sul e em Alagoas, ampliando a aplicação da metodologia em diferentes biomas e contextos do país.
Caminhos de Trajano de Moraes
Na região serrana do Rio de Janeiro, os Caminhos de Trajano de Moraes reúnem trilhas em belos cenários naturais, que podem ser realizadas caminhando ou pedalando, promovendo a conexão das pessoas com a natureza e a interação com a cultura local e a história da região.


O circuito é composto por cinco trechos, que incluem atrativos como ruínas de igrejas, antigas fazendas coloniais, áreas de cultivo de café e flores ornamentais. Ao longo dos caminhos, os visitantes encontram mirantes, cachoeiras, piscinas naturais e uma rica diversidade de fauna e flora.
O projeto envolveu o planejamento, a estruturação e o desenvolvimento sustentável do turismo de natureza na cidade e levou cerca de seis meses para ser completado. Foram realizados o mapeamento dos roteiros, sinalização e estruturação, produção de conteúdo para divulgação e desenvolvimento de estratégias de comunicação e marketing.
Assista outros vídeos dos Caminhos de Trajano de Moraes no canal da eTrilhas no YouTube.
Os Caminhos de Trajano de Moraes colocou o município no mapa do ecoturismo. Em apenas um ano, foram registrados 135 novos microempreendedores individuais ligados ao turismo, enquanto o número de empresas cadastradas no CADASTUR saltou de 14 para mais de 60. Entre os setores mais impactados estão gastronomia, hospedagem e serviços de guiamento.
“Quando os empreendedores locais percebem que existe uma rota sendo estruturada, com acesso à informação e banco de imagens, eles se engajam. Vi isso acontecer de forma muito forte em Trajano de Moraes”, destaca Paula Rascão.
As trilhas e seus atrativos podem ser consultados diretamente no aplicativo oficial do destino.
A Volta das Águas de Rio Claro
Até pouco tempo, as trilhas de Rio Claro, no estado do Rio de Janeiro, eram pouco frequentadas por falta de sinalização e divulgação.
O cenário começou a mudar com o projeto A Volta das Águas de Rio Claro, iniciado em 2023. Em agosto de 2025, foram lançados os primeiros trechos sinalizados, junto com o site e o aplicativo oficial do destino, customizados a partir da plataforma da eTrilhas.
“Apostamos no ecoturismo e no turismo de aventura para desenvolver o nosso município, gerando emprego e renda. Como temos belezas naturais, história e cultura muito ricas, elaboramos o projeto A Volta das Águas de Rio Claro junto com a eTrilhas”, afirma Brindisi Biondi, secretário de Desenvolvimento Econômico, Cultura, Turismo, Eventos, Esporte e Lazer de Rio Claro.

A trilha de longo curso conecta os cinco distritos do município — Rio Claro (sede), Lídice, Passa Três, São João Marcos e Getulândia — além dos subdistritos Pouso Seco e Fazenda da Grama, somando cerca de 311 km. São quatro modais: cicloturismo, caminhada, cavalgada e, futuramente, canoagem na Represa de Ribeirão das Lajes, em validação.
Ao longo do trajeto, os visitantes percorrem áreas como o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, fazendas históricas e trechos ligados ao Caminho do Ouro e ao ciclo do café, além da Igreja da Fazenda da Grama.
Entre os destaques naturais estão a Pedra do Bispo, ponto mais alto do município; a região do Guaraná Quente, conhecida pelas baixas temperaturas (apesar do nome); a Cachoeira das Três Quedas; a Cachoeira da Borboleta; além de antigas estruturas ferroviárias, como o Chuveirão e túneis históricos. A trilha também atravessa uma comunidade quilombola, ampliando a conexão com a cultura local.
Segundo o secretário, a parceria com a eTrilhas foi essencial para viabilizar o projeto:
“Nenhum projeto sai do papel sem o apoio de uma empresa capacitada. Nosso projeto é ambicioso, e contar com a expertise da eTrilhas foi fundamental para garantir que a trilha se tornasse segura, estruturada e gerasse credibilidade.”


Após a implementação, já é possível observar impactos diretos no território, como o aumento no número de pousadas, especialmente no distrito de Lídice, onde será realizada a V Jornada Cultural e Científica de Montanhismo.
Paula Rascão conta que a comunidade foi envolvida desde o início e explica as etapas de trabalho em Rio Claro:
“Realizamos entrevistas com atores locais de todos os distritos, grupos de ciclistas e caminhantes, além de reuniões com o Conselho e a Secretaria de Turismo. Validamos os traçados, adaptamos à realidade local, dividimos em trechos, classificamos conforme normas da ABNT e entregamos todo o conteúdo estruturado dentro do aplicativo e do site.”
O objetivo futuro é expandir a trilha de longo curso, aproveitando o potencial territorial do município e fortalecendo Rio Claro como destino de referência em ecoturismo.
Benefícios para as cidades e para os visitantes
Para quem visita esses destinos, a experiência se torna mais segura e autônoma. A estruturação das trilhas reduz riscos e facilita a navegação, especialmente com o uso de tecnologias como mapas offline e informações atualizadas.
Além disso, o acesso a conteúdos interpretativos amplia a compreensão sobre o território, sua biodiversidade, história e cultura. Outro diferencial está na conexão com a rede empreendedora local, como guias, serviços, gastronomia e hospedagens.
Para as cidades, entre os principais benefícios está a geração de renda local, a partir da ativação de serviços como condução, alimentação, hospedagem e comércio. As trilhas também contribuem para a descentralização do turismo, distribuindo o fluxo de visitantes para áreas rurais e menos exploradas, além de fortalecer a identidade local.
Ao valorizar paisagens, saberes e práticas culturais, o ecoturismo ajuda a preservar o patrimônio natural e cultural, ao mesmo tempo em que incentiva a conservação ambiental.
